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25 set 2026
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🥛 O rebanho dos EUA encolhe, mas a produção não para de subir — e o motivo não é bom para quem ordenha.
leite
🧀 Enquanto o apetite por queijo bate recordes nos EUA, uma tensão silenciosa aperta quem produz o leite.

O mercado lácteo americano vive um contraste que resume bem o setor em 2026: o rebanho nacional está diminuindo, a produção de leite continua batendo recordes e o consumo de queijo nunca foi tão alto — mas o bolso de quem produz o leite não está acompanhando esse crescimento.

O rebanho leiteiro dos Estados Unidos chegou a um pico de cerca de 9,575 milhões de cabeças no fim de 2025 e deve recuar levemente para aproximadamente 9,555 milhões em 2026. Ainda assim, a produção total é projetada em 234,1 bilhões de libras neste ano, ante 231,4 bilhões no anterior. A conta fecha graças à genética, à nutrição animal e ao manejo de rebanho, que vêm elevando a produtividade por vaca ano após ano.

Do lado do consumo, o protagonista é o queijo. A categoria responde por cerca de um quarto do valor total do mercado de produtos lácteos e o consumo per capita bateu recorde em 2024, com 41,8 libras (19 kg) por pessoa.

A pizza segue puxando a demanda no food service, mas o varejo também empurra esse crescimento com o boom dos queijos em formato snack, voltados a consumidores em busca de opções portáteis e ricas em proteína. Mussarela, cheddar e queijos de estilo hispânico concentram a maior parte desse volume, refletindo tanto hábitos de consumo quanto mudanças demográficas.

O outro lado dessa equação é menos animador para o produtor. Os custos com ração caíram, o que deveria aliviar as margens, mas a queda nos preços do leite compensa boa parte desse ganho: produz-se mais leite sem necessariamente ganhar mais por ele. É uma tensão característica do setor, em que o produtor tem dificuldade de reagir rapidamente aos sinais de preço — e a maioria segue ordenhando mesmo durante a retração.

A gripe aviária de alta patogenicidade em rebanhos leiteiros segue no radar, embora as preocupações tenham diminuído. O receio hoje é menos sobre perdas diretas de produção e mais sobre como reguladores e parceiros comerciais reagiriam a novos surtos.

As exportações funcionam como válvula de escape para essa produção crescente. A projeção para 2026 é de cerca de 17,5 bilhões de libras (7,94 milhões de toneladas), com as exportações de sólidos desnatados praticamente estáveis, enquanto mais produção doméstica é direcionada a produtos focados em proteína, priorizados pelo consumidor americano. Isso dá aos processadores mais flexibilidade sobre o destino final dos sólidos do leite.

O tamanho exato do mercado lácteo americano varia conforme a metodologia: estimativas vão de cerca de US$ 115 bilhões a mais de US$ 250 bilhões, dependendo do escopo considerado.

Isoladamente, a produção primária de leite é estimada em US$ 52 bilhões em 2026, enquanto a manufatura de produtos lácteos — transformar leite cru em queijo, manteiga e outros derivados — soma US$ 153 bilhões, evidenciando quanto valor é agregado entre a fazenda e a prateleira. Um relatório da MarketsandMarkets projeta que o mercado chegue a US$ 343,7 bilhões até 2034.

O quadro geral para 2026 é de uma transformação silenciosa: mais leite com menos vacas, pressão persistente sobre a margem do produtor e um consumidor cujo apetite por queijo e proteína segue redesenhando o que é produzido e para onde vai. Grandes players como Danone, Lactalis, Nestlé e Kraft Heinz acompanham de perto se essas tendências vão se manter — ou mudar de direção — antes do fim do ano.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Food & Agribusiness

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