A Nestlé está redesenhando seu mapa de comando na América do Sul. A partir de 1º de janeiro de 2027, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai deixarão de operar sob a antiga configuração conhecida como Região Plata e passarão a integrar uma nova unidade batizada de Cono Sur, com sede fixada no Chile.
A decisão foi comunicada internamente nesta quarta-feira e chegou ao público por meio do portal chileno Diário Financiero, que teve acesso ao documento interno da companhia. Segundo essa informação, o comando da nova região ficará nas mãos de Rodrigo Camacho, atual CEO da Nestlé Chile, que assumirá como head regional da operação consolidada mantendo sua base no país.
O movimento não é isolado. Ele se encaixa em um processo mais amplo que a Nestlé já vinha aplicando ao longo de 2026: a companhia iniciou a integração de Peru, Colômbia, Equador e Bolívia sob uma mesma organização, a chamada Região Andina, e desde o início do ano estendeu essa mesma lógica de consolidação para a América Central e o Caribe.
A criação do Cono Sur representa, portanto, a próxima etapa dessa reorganização por blocos regionais — desta vez alcançando o extremo sul do continente.
O que ainda não está definido é o desenho interno dessa nova estrutura. O material disponível não detalha mudanças em plantas, marcas ou dotações de pessoal nos quatro países envolvidos, e fontes próximas à companhia indicam que agora começa uma fase de análise, nos próximos meses, para definir como a operação consolidada vai funcionar na prática antes da entrada em vigor, em janeiro de 2027.
O peso da operação chilena dentro desse novo arranjo não é menor. O país conta com um plano de investimento de US$ 300 milhões anunciado recentemente pela companhia, além de nove fábricas produtivas e mais de 7 mil colaboradores — uma estrutura industrial que ajuda a explicar por que o Chile foi escolhido como sede da nova unidade regional, e não algum dos outros três mercados que passam a integrá-la.
Com a mudança, a Nestlé consolida um modelo de gestão que já vinha sendo testado em outras regiões da América Latina: menos unidades nacionais isoladas e mais blocos regionais com um único centro de decisão.
Para o mercado, a movimentação também é um sinal de como a multinacional está reorganizando sua presença latino-americana em um momento de investimentos ativos na região — com o Cono Sur se tornando, a partir de 2027, um dos principais pontos de referência dessa nova arquitetura.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas em LinkedIn






