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29 jul 2026
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📉 O leite UHT perdeu espaço na mesa do brasileiro. Descubra por que um produto especifico virou o escudo dos produtores paranaenses.
queijo
Entre a queda do consumo e a pressão do Mercosul, o campo paranaense encontrou uma estratégia que está mudando a cadeia leiteira.

O consumo de lácteos no Brasil recuou no primeiro semestre de 2026, puxado principalmente pela queda no leite UHT (Longa Vida), segundo o Observatório do Consumidor da Embrapa.

É nesse cenário de pressão sobre as margens do setor que o Paraná, segundo maior produtor de leite do país, tem sustentado sua cadeia produtiva por um caminho específico: a produção de queijo no Paraná ganhou peso estratégico como resposta à retração do mercado.

O argumento vem de Alexandre Lobo Blanco, médico veterinário do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e futuro representante dos produtores no Conseleite-PR, conselho que reúne produtores e indústrias de laticínios do estado.

Segundo ele, o queijo cumpre uma função direta de estabilização financeira: concentra o leite fluido e ajuda a equilibrar os preços justamente nos períodos em que os três estados do Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — registram aumento de volume de produção, como ocorreu em 2025 e 2026.

Essa função tem uma lógica comercial concreta. O produtor de leite fluido tem, no máximo, dois dias para entregar seu produto ao laticínio, o que praticamente elimina sua capacidade de negociar preço.

Já quem produz queijo trabalha com prazos de validade mais longos, o que abre espaço para negociação e planejamento de longo prazo. Blanco cita que já existem casos, no Paraná, de produtores que verticalizaram totalmente a operação, destinando 100% do leite para queijarias próprias e regularizadas.

Os números do relatório da Embrapa sustentam essa escolha: enquanto o UHT perdia espaço, a categoria de queijos foi o destaque positivo da pesquisa nacional, com crescimento de 5% em volume e 6,3% em faturamento no primeiro semestre.

A frente política: a disputa contra o leite em pó importado

Se o queijo é a resposta comercial à crise de consumo, a importação de leite em pó do Mercosul é a outra frente de pressão sobre a bacia leiteira do Sul — e essa batalha corre pelas vias jurídicas e políticas. A pesquisa da Embrapa mostra que o leite em pó é a categoria com maior crescimento composto de faturamento no pós-pandemia, de 17,3% ao ano, mas boa parte desse volume chega ao país via importação, o que pressiona as cotações locais.

Segundo Blanco, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem conduzindo investigações sobre possíveis desvios tributários e quebras de regras de comércio internacional na importação de leite proveniente do Mercosul.

O detalhe relevante para a indústria: esse leite em pó importado é amplamente utilizado como ingrediente industrial pelas cadeias de chocolate, sorvete e panificação, setores que absorvem parte relevante desse volume. Para Blanco, corrigir essas distorções é condição para devolver competitividade ao produtor nacional.

Onde entra o pequeno produtor

O relatório da Embrapa também aponta o avanço de produtos de maior valor agregado, como os lácteos “zero lactose” — que já respondem por 5,6% do faturamento total do setor — e as bebidas proteicas voltadas ao público fitness. Mas esse segmento de alta tecnologia exige plantas industriais especializadas, uma barreira que o pequeno produtor paranaense não tem como superar pela via da escala.

A saída indicada por Blanco para esse produtor menor não é competir em volume, mas se posicionar em nichos de alto valor: controle de custos, qualidade e produtos ligados a microrregiões específicas, onde as características do animal e da pastagem local resultam em leites e queijos diferenciados.

Esse movimento de valorização regional tem um braço institucional concreto: o Prêmio Queijos do Paraná, realizado em parceria entre Sistema FAEP, Sebrae, Sindileite e IDR-Paraná, já está em sua segunda edição e tem como foco certificar queijarias artesanais finas do estado.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tribuna

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