ESPMEXENGBRAIND
8 jun 2026
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🧀 Com importações equivalentes a cerca de 8% do mercado, o setor vê crescer a concorrência justamente nos produtos de maior valor agregado.
lácteos
Mais do que uma questão comercial, a abertura do mercado começa a influenciar estratégias, investimentos e posicionamento das empresas.

As importações de lácteos já representam cerca de 8% do mercado brasileiro, mas a principal preocupação da indústria não está apenas no volume que entra no país.

O foco passa a ser cada vez mais a disputa pelos segmentos de maior valor agregado, justamente aqueles que concentram investimentos, diferenciação e margens mais elevadas.

O tema ganhou novo peso com o início da redução gradual das tarifas de importação para produtos lácteos da União Europeia prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia. Embora a eliminação total das tarifas esteja distribuída ao longo de uma década, empresas do setor avaliam que os efeitos começam a ser considerados imediatamente nos planos de investimento.

Para Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, a pressão das importações já afeta o equilíbrio do mercado interno. Segundo o executivo, a entrada contínua de leite em pó e queijos provenientes principalmente de países do Mercosul amplia a oferta disponível e influencia os preços recebidos pela indústria e pelos produtores.

O cenário se torna ainda mais sensível diante da recente comprovação de práticas de dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Apesar disso, o governo optou por não implementar medidas que restringissem essas operações, decisão que, segundo Sartor, preserva preços ao consumidor, mas reduz a rentabilidade dos produtores nacionais.

A preocupação aumenta à medida que o acordo com a União Europeia avança. Desde maio, as tarifas sobre diversos produtos lácteos europeus começaram a ser reduzidas. No caso dos queijos duros, a alíquota caiu de 28% para 25,2% e seguirá diminuindo gradualmente até atingir zero.

Para empresas que operam em categorias premium, o prazo é visto como relativamente curto. Projetos industriais exigem planejamento de longo prazo e envolvem anos entre aprovação, construção e início das operações. Isso significa que decisões tomadas hoje precisarão considerar um ambiente competitivo diferente daquele existente atualmente.

É justamente nesse ponto que se concentra a maior preocupação da RAR. A empresa atua em categorias como queijo tipo grana, manteigas especiais, creme de leite e outros derivados de maior valor agregado. Segundo a avaliação da companhia, esses produtos deverão enfrentar concorrência crescente dos fabricantes europeus, que operam em escala superior e contam com apoio governamental em seus mercados de origem.

A estimativa apresentada pela empresa indica que, com a retirada gradual das tarifas, determinados produtos europeus poderão chegar ao Brasil com um custo aproximadamente 20% inferior ao custo de produção nacional. A diferença tende a aumentar a pressão competitiva justamente nos segmentos considerados mais estratégicos para a captura de valor dentro da cadeia láctea.

Diante desse cenário, a resposta da empresa tem sido priorizar eficiência operacional e reforçar o posicionamento em produtos diferenciados voltados a consumidores que valorizam qualidade, origem e processos produtivos. Ao mesmo tempo, novos investimentos industriais avançam de forma mais cautelosa em razão da capacidade ainda disponível nas operações atuais.

Mais do que uma discussão sobre fluxo de importações, o debate passa a envolver a capacidade da indústria brasileira de sustentar competitividade nos produtos de maior valor agregado. É nesse espaço que a abertura comercial tende a ser observada com maior atenção nos próximos anos.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CNN Brasil

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