A proteína continua avançando em diferentes categorias de bebidas, mas o mercado começa a enfrentar um limite mais complexo do que a simples adição de valor nutricional.
À medida que produtos proteicos chegam a formatos mais leves e refrescantes, como refrigerantes e bebidas gaseificadas, a formulação passa a determinar quais ingredientes conseguem ganhar escala comercial.
O desafio central já não está apenas na presença de proteína, mas em como ela se comporta dentro da bebida. Sabor residual, sensação arenosa, amargor e perda de estabilidade continuam sendo obstáculos importantes, especialmente em produtos carbonatados e de baixa acidez, onde o consumidor espera uma experiência mais leve e refrescante.
Esse cenário altera a lógica de competição entre ingredientes. O debate deixa de se concentrar apenas na origem da proteína, seja láctea ou vegetal, e passa a envolver desempenho técnico dentro de cada matriz de bebida.
Nas bebidas lácteas, a incorporação de proteína já ocorre há anos e enfrenta menos barreiras sensoriais. Em categorias mais leves, porém, a formulação se torna mais sensível. Segundo Matthew Postlethwaite, cofundador da marca de proteína gaseificada Proda, muitos tipos de proteína quebram, turvam a bebida ou geram sabores indesejados em sistemas carbonatados.
Para contornar esse problema, a empresa apostou em whey protein isolate transparente, ingrediente utilizado para manter leveza visual e perfil mais refrescante no produto final. O desenvolvimento da fórmula levou cerca de 18 meses até atingir o resultado desejado.
A busca por equilíbrio também começa a influenciar a quantidade de proteína utilizada nas bebidas. Danny Stepper, CEO da L.A. Libations, afirma que consumidores fitness toleram determinados compromissos sensoriais, mas o público massivo não aceita bebidas funcionais com sabor comprometido.
Segundo ele, níveis muito elevados de proteína dificultam a construção de uma experiência agradável em refrigerantes proteicos. Por isso, marcas como Proda, Skypop e Koia trabalham com cerca de 10g de proteína por lata, patamar que começa a se consolidar dentro da categoria.
O avanço desse segmento também amplia a disputa entre diferentes fontes proteicas. Além de ingredientes lácteos, o mercado utiliza proteínas de ervilha, soja e fava, entre outras opções vegetais. Ainda assim, a escolha da matéria-prima depende cada vez mais do comportamento técnico esperado em cada bebida, e não apenas do posicionamento nutricional ou de marketing.
Para Betty Kaufman, diretora estratégica da consultoria The Culinary Edge, o desafio tecnológico é significativo porque proteínas são difíceis de estabilizar em ambientes carbonatados e com baixo pH. Mesmo assim, ela destaca que a demanda do consumidor continua forte, especialmente para marcas capazes de entregar funcionalidade sem sacrificar refrescância e sabor.
O movimento mostra que o mercado de bebidas proteicas entra em uma nova etapa. Mais do que adicionar proteína ao portfólio, as empresas precisam desenvolver produtos capazes de competir sensorialmente com bebidas tradicionais, em categorias onde leveza e experiência de consumo são decisivas.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter






