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18 maio 2026
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O analista sênior de lácteos do Rabobank, Michael Harvey, afirma que a cadeia láctea australiana entra na temporada 2026-27 com “margem limitada para erro”, pressionada por custos elevados, juros altos e perda de rentabilidade em toda a cadeia.
Michael Harvey vê terceira retração seguida no leite australiano
Michael Harvey vê terceira retração seguida no leite australiano.

A cadeia láctea australiana inicia a temporada 2026-27 sob uma combinação de custos elevados, pressão financeira e desaceleração produtiva que reduz a margem de segurança para produtores e indústrias.

Segundo o novo relatório anual Australian Dairy Outlook, do Rabobank, o setor opera em um ambiente no qual pequenos desvios de gestão podem comprometer a rentabilidade.

O banco afirma que os custos de combustível, fertilizantes, água, mão de obra e juros elevados continuam pressionando a atividade, aproximando os preços do leite de níveis considerados pouco rentáveis e deteriorando a confiança do mercado.

O relatório, liderado pela divisão de pesquisas do Rabobank, sustenta que a melhora das condições sazonais observada em algumas regiões não é suficiente para compensar a pressão acumulada de custos em toda a cadeia. Para o analista sênior de lácteos Michael Harvey, o cenário exige disciplina financeira e maior rigor na alocação de capital.

Segundo Harvey, produtores precisarão intensificar o controle de custos durante a próxima temporada, enquanto as indústrias terão de adotar estratégias prudentes na definição dos preços pagos ao produtor.

A pressão sobre os custos ganhou força adicional com os impactos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e fertilizantes. O relatório destaca que os preços desses insumos, especialmente da ureia, registraram forte aumento recente.

Além do impacto direto nas propriedades, o aumento dos combustíveis também elevou custos indiretos ligados a serviços e insumos utilizados pela atividade leiteira. O efeito se espalha por toda a cadeia, alcançando logística, embalagens, transporte e energia.

O relatório também aponta que juros mais altos, mercado de trabalho mais apertado e aumento nos preços de alocação de água seguem reduzindo as margens de rentabilidade do setor.

Essa pressão já começa a avançar além da porteira. Segundo o Rabobank, os custos mais elevados para colocar produtos no mercado podem acabar sendo parcialmente transferidos ao consumidor final. O banco alerta que um novo ciclo de inflação dos alimentos, incluindo os lácteos, pode testar novamente a resiliência do consumo.

No campo produtivo, o cenário permanece estagnado. A produção nacional de leite permaneceu praticamente estável até março, em 8,3 bilhões de litros. Enquanto regiões do norte apresentaram desempenho mais positivo, Victoria e South Australia registraram queda na produção em relação ao ano anterior.

As perspectivas climáticas também adicionam incerteza ao setor. O relatório menciona previsões de chuvas abaixo da média e a possibilidade de transição para condições de El Niño, fatores que continuam pressionando as expectativas para os próximos meses.

Diante desse contexto, o RaboResearch projeta queda de 1,2% na produção nacional de leite australiana em 2026-27. Se confirmada, será a terceira retração anual consecutiva da atividade, reforçando a dificuldade do setor em recuperar margens mesmo após melhora parcial das condições sazonais.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Country News

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