ESPMEXENGBRAIND
4 ago 2026
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🐄 Um sistema que já é padrão nos EUA ganha força no Brasil e promete reescrever a lucratividade de quem produz leite.
💰 Existe uma forma de transformar um dos animais menos valorizados da fazenda em fonte extra de receita. Veja como.
💰 Existe uma forma de transformar um dos animais menos valorizados da fazenda em fonte extra de receita. Veja como.

Um bezerro nascido de vaca leiteira costuma carregar, desde o primeiro dia, um destino econômico limitado: baixo valor de mercado e pouca perspectiva de valorização na cadeia de carne.

É justamente esse cenário que o sistema Beef on Dairy propõe mudar, e o tema ganhou espaço nesta semana durante a Agroleite 2026, em Castro (PR).

A tecnologia consiste em utilizar sêmen de touros de raças de corte — com destaque para a Angus — em vacas leiteiras, gerando bezerros com características muito mais competitivas para o mercado de carne. A prática já está consolidada nos Estados Unidos e, segundo a Associação Brasileira de Angus, vem crescendo no Brasil como alternativa para agregar valor a animais que tradicionalmente rendem pouco dentro do sistema leiteiro.

Na prática, o cruzamento não é apenas uma troca de genética: é uma mudança de categoria econômica para o animal. De acordo com a associação, o sistema permite melhorar diretamente o rendimento de carcaça, o acabamento de gordura, o potencial de ganho de peso e a qualidade dos cortes — abrindo caminho para a padronização de uma carne premium a partir de um animal que, sem esse cruzamento, dificilmente chegaria a esse patamar.

Mas nem todo cruzamento entrega esse resultado. O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, é direto ao afirmar que “esse tipo de cruzamento produz carne de alta qualidade”, mas alerta que os produtores precisam ter cuidado com a genética utilizada para alcançar esse padrão. A escolha do touro, portanto, deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser a variável que define se o bezerro vai virar um produto valorizado ou repetir o histórico de baixa rentabilidade.

Para reduzir essa margem de erro, a entidade criou selos de seleção que indicam quais touros Angus são mais indicados especificamente para o sistema Beef on Dairy. Segundo o diretor executivo da associação, Mateus Pivato, a escolha dos reprodutores segue critérios técnicos rigorosos, avaliando peso adequado ao nascimento, ganho de peso nas diferentes fases de crescimento, maior área de olho de lombo e melhor conformação de carcaça — todos fatores que impactam diretamente o potencial de produção de cortes premium.

Essa certificação do sistema pelo Programa Carne Angus Certificada existe desde 2024, o que reforça a rastreabilidade do animal desde a genética até o produto final.

E é justamente essa estrutura de rastreabilidade que sustenta um programa que hoje é apontado como o maior de certificação de carcaças premium do Brasil: são 29 parceiros comerciais, 60 plantas frigoríficas em operação e presença em 13 estados — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Rondônia e Bahia.

A avaliação das carcaças é feita por equipes próprias dentro dos frigoríficos, o que garante o acompanhamento da origem dos produtos que recebem o selo verde e amarelo da Carne Angus Certificada.

Na Agroleite 2026, o tema teve programação própria. A abertura das atividades ocorreu no dia 3 de agosto, com a palestra “Selos Beef on Dairy”, apresentada pelo gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, Maychel Borges, na Arena Conexão, na Plenária Principal, abordando os benefícios do sistema, os critérios de certificação e os desafios para garantir qualidade de carcaça na prática.

Entre os dias 4 e 6 de agosto, à tarde, o estande da Angus — montado junto à parceira Cooperaliança, no espaço 152 — recebeu produtores e visitantes com degustação de cortes premium certificados.

Segundo Borges, a proposta do evento foi reunir diferentes elos dessa cadeia em um mesmo espaço: “as atividades devem contemplar representantes das centrais de genética, produtores que utilizam o método Beef on Dairy e selecionadores da raça Angus”, destaca.

O que esse movimento sinaliza, no fundo, é uma mudança de lógica dentro da porteira. Um bezerro que antes era visto quase como subproduto da produção de leite passa a ser tratado como decisão estratégica de genética e receita.

E a expectativa da Associação Brasileira de Angus é que esse modelo continue avançando no Brasil, impulsionado pela demanda crescente do mercado consumidor por carnes certificadas, rastreadas e com padrão superior de qualidade.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal do Agronegócio

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