Sousa e o Sertão paraibano reúnem condições para ampliar a produção de leite de cabra e derivados, segundo a professora do IFPB Tatiana Gouveia Pinto.
A avaliação foi apresentada durante a 2ª Feagros, em Sousa (PB), e coloca a região como candidata a polo da atividade. Na visão dela, a conta passa por renda no campo, formação de gente e mudança na relação do consumidor com o produto.
O primeiro argumento é a escala acessível. Tatiana lembra que os animais podem ser criados em espaços menores e que a capacidade de multiplicação do rebanho favorece a expansão da atividade. Por isso, enxerga na caprinocultura uma alternativa de geração de renda para pequenos agricultores, público que costuma ter pouca área e precisa fazer cada hectare render.
O segundo é a integração com outras culturas. A professora cita o coco como exemplo: os caprinos poderiam aproveitar a vegetação sob os coqueiros, contribuindo para o manejo da área e, ao mesmo tempo, para a produção de leite. A ideia é somar uma atividade à outra, e não substituir a lavoura existente.
O terceiro é a capacidade de transformar leite em produto, e aqui o IFPB já tem trabalho feito. A instituição realizou experimentos com cabras, incluindo estudos de alimentação e nutrição. O leite gerado foi usado pela agroindústria para capacitar alunos, que aprenderam a elaborar queijos temperados, iogurtes e manteiga da terra. Para Tatiana, esse tipo de investimento em ciência e formação alimenta diretamente os arranjos produtivos locais.
O que falta, segundo ela, é estrutura específica. A professora defende que o IFPB avance com investimentos que permitam criar um espaço dedicado à pesquisa e à experimentação com caprinos, ampliando o que hoje é feito em atividades pontuais.
Há ainda uma barreira do lado do consumo. Tatiana reconhece que parte das pessoas resiste ao leite de cabra pela diferença de sabor em relação ao de vaca e defende mais divulgação sobre suas características. Ela cita maior quantidade de cálcio, digestibilidade, composição da gordura e saciedade, e resume: “ele não é ruim, ele é só diferente”. O produto, lembra, faz parte da cultura nordestina.
A conversa ocorreu na Feagros, realizada pela Prefeitura de Sousa, por meio da Secretaria de Agricultura, em parceria com instituições como Sebrae, Governo da Paraíba e Senai. A programação reuniu capacitação, exposição de animais, gastronomia e produtos regionais e, segundo a organização, teve grande participação do público. Leite de cabra, caprinocultura e ovinocultura ganharam espaço como caminhos de diversificação no Sertão.
O IFPB, segundo Tatiana, mantém as portas abertas para produtores e interessados em conhecer a atividade, com a expectativa de que se capacitem e também capacitem os filhos para desenvolver a região.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Repórter PB






