Os robôs de ordenha seguem ganhando espaço no Brasil mesmo com a crise do leite, preços pressionados e crédito restrito, configurando um movimento que contrasta com o ambiente de retração nos investimentos do setor.
Após a recuperação observada em 2024, o mercado voltou a enfrentar queda nos preços ao longo de 2025. O litro pago ao produtor oscilou durante o ano e encerrou o período em torno de R$ 2, depois de ter superado R$ 2,80 em momentos pontuais. O aumento da produção, as importações relevantes de leite em pó do Mercosul e um consumo doméstico mais moderado pressionaram as cotações. A Abraleite classificou o período como o auge da crise.
Nesse contexto, a taxa Selic atingiu 15%, elevando o custo do crédito privado para patamares superiores a 18% ao ano em diversas linhas bancárias. Em um segmento em que cada robô pode custar cerca de R$ 1,5 milhão e atender em média 60 vacas, a previsibilidade de caixa se torna determinante para a decisão de investimento. O ambiente levou muitos produtores a postergar projetos.
Ainda assim, a holandesa Lely decidiu reforçar sua presença comercial no país. A empresa soma mais de 400 robôs instalados no Brasil, majoritariamente em propriedades familiares com um ou dois equipamentos. Segundo a companhia, as vendas em 2025 ficaram próximas às de 2024, mesmo diante da instabilidade.
A estratégia adotada prioriza campanhas comerciais e descontos para estimular decisões em um momento de hesitação generalizada. Paralelamente, a empresa negocia com a matriz europeia parcerias financeiras que possam viabilizar linhas específicas para produtores, como forma de mitigar o impacto da Selic elevada.
Regionalmente, o Sul permanece como principal polo de adoção da tecnologia, associado a um perfil de produtor mais aberto a investimentos e à influência histórica da cultura europeia na atividade leiteira. Goiás aparece como fronteira de crescimento, enquanto Minas Gerais, maior produtor de leite do país, é visto como mercado mais conservador, apesar do potencial.
O movimento ocorre em um cenário de expectativa apenas gradual de recuperação em 2026, possivelmente a partir do segundo semestre, com margens ainda apertadas no início do ano.
No plano global, a Lely superou 1 bilhão de euros em vendas em 2025, avanço de 18% na receita, impulsionado sobretudo por mercados maduros da Europa e da América do Norte. Na América Latina, o desempenho foi mais moderado, refletindo a instabilidade macroeconômica regional.
A manutenção dos investimentos em robôs em meio à crise sinaliza uma aposta estrutural em eficiência operacional e redução de dependência de mão de obra, mesmo quando o ciclo de preços do leite permanece adverso.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de AgFeed






