🥛 Mitos alimentares sob análise: lácteos, ovos e café voltam ao debate com novas evidências.
Mitos alimentares: às vezes, o que parece mais óbvio é o primeiro a mudar. A nutrição está cheia de ideias repetidas por anos que hoje são revisitadas à luz de novas evidências.
As bioquímicas Elena Pérez e María Hernández-Alcalá, especialistas em nutrição clínica e saúde pública, defendem que o foco deixou de ser “alimentos milagrosos” ou vilões universais. O ponto central passa a ser a construção de hábitos consistentes ao longo do tempo.
Entre as crenças mais difundidas está a de que produtos “light” são sempre mais saudáveis. A redução de calorias ou de um nutriente não garante melhor qualidade. Para manter sabor e textura, muitos desses itens incluem aditivos e seguem sendo ultraprocessados. A recomendação atual prioriza alimentos frescos ou minimamente processados.
Outra ideia em revisão é a de que contar calorias basta para controlar o peso. Embora o balanço energético importe, isolá-lo pode simplificar demais a equação. Evidências recentes destacam o papel da qualidade da dieta, do sono e da atividade física na saúde metabólica.
Também perde força o conceito de que “quanto mais proteína, melhor”. A proteína é essencial, mas o excesso não substitui o exercício nem melhora sozinho a composição corporal, além de poder deslocar outros alimentos importantes, como vegetais e leguminosas.
As gorduras, por muito tempo tratadas como inimigas, passam por reavaliação. Fontes como azeite de oliva extravirgem, peixes gordurosos, nozes e abacate desempenham funções relevantes no organismo e auxiliam na absorção de nutrientes.
Nas redes sociais, ganhou espaço a ideia de que lácteos causam inflamação. No entanto, não há evidência científica sólida que sustente essa afirmação na população geral. Em casos de intolerância à lactose, produtos fermentados como iogurte e kefir costumam ser melhor tolerados.
Os adoçantes, por sua vez, não são automaticamente a melhor alternativa ao açúcar. Apesar de menos calóricos, o consumo frequente pode alterar a percepção do sabor doce e tem sido associado, em alguns contextos, a efeitos cardiometabólicos menos favoráveis. A orientação é simples: que a principal fonte de doce seja a fruta.
Outro mito clássico envolve os ovos. Hoje se sabe que, em pessoas saudáveis, seu consumo dentro de uma dieta equilibrada não está associado ao aumento do risco cardiovascular. Pelo contrário, são alimentos completos, ricos em proteínas e micronutrientes.
Suplementos nutricionais também entram na lista de crenças equivocadas. Eles podem ser úteis em situações específicas, mas não substituem o conjunto de nutrientes presentes em alimentos como verduras.
O café, frequentemente questionado, mostra um perfil mais positivo quando consumido com moderação. Rico em antioxidantes, pode contribuir para indicadores de saúde, embora deva ser ajustado a cada indivíduo.
Por fim, a ideia de que a cerveja hidrata não se sustenta. O álcool favorece a perda de líquidos, tornando a água a melhor opção para hidratação.
No fim, a mensagem converge: mais do que regras rígidas, a nutrição atual valoriza equilíbrio, contexto e consistência.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Fedeleche






