As exportações de lácteos avançaram na quarta semana de abril e consolidam crescimento no acumulado do ano, mas o movimento não se traduz em melhora do saldo comercial.
A dinâmica recente revela expansão concentrada e desequilíbrios entre categorias que limitam o impacto positivo sobre a balança.
O volume médio diário exportado cresceu 27% em relação a abril de 2025, enquanto no acumulado dos quatro primeiros meses de 2026 a alta chega a 11%. Em valores, o avanço foi de 18% na comparação interanual. Ainda assim, houve recuo de 9% frente a março, sinalizando perda de tração no curto prazo.
O desempenho é fortemente ancorado na categoria leite, responsável por 76,8% das divisas. Esse segmento registrou crescimento interanual de 24% e leve alta frente ao mês anterior. Na prática, o avanço das exportações está concentrado em um único eixo, o que reduz sua capacidade de alterar o quadro geral do comércio.
O contraste aparece com mais clareza no queijo. As exportações recuaram tanto em valor quanto em volume, com queda de 2% frente a março e retração mais acentuada no volume médio diário, de 32% na comparação mensal e 27% na interanual. Ao mesmo tempo, as importações dispararam, com alta de 69% em valor e crescimento de 83% no volume mensal, além de avanço expressivo na comparação com o ano anterior.
Esse movimento oposto entre leite e queijo reorganiza o fluxo comercial. Enquanto o leite sustenta o crescimento exportador e reduz parcialmente a pressão das importações no mês, o queijo amplia o desequilíbrio ao combinar queda de exportações com forte entrada de produto externo.
A divergência entre preços e volumes reforça esse diagnóstico. No caso do queijo, o preço médio de exportação subiu 34% em relação ao ano anterior, mas o colapso no volume exportado neutralizou praticamente todo o efeito positivo sobre a receita. O mercado pagou mais, mas em menor quantidade, limitando o impacto sobre o resultado agregado.
No leite, as importações recuaram 20% frente a março, embora permaneçam elevadas na comparação interanual, com alta de 23%. Isso indica ajuste no curto prazo sem reversão da tendência de fundo.
O resultado consolidado é um agravamento do déficit comercial. Na comparação com abril de 2025, o saldo negativo aumentou 24% e avançou 2% frente a março de 2026. Na quarta semana de abril, o déficit já se posiciona apenas 12% abaixo do recorde observado anteriormente.
O quadro evidencia que o crescimento das exportações, embora consistente, não é suficiente para reequilibrar o comércio. A concentração no leite, a perda de espaço do queijo e a pressão das importações definem uma estrutura em que o avanço exportador convive com deterioração do saldo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Selectus – TerraViva®







