ESPMEXENGBRAIND
9 mar 2026
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🧀 Queijarias familiares representam mais de 40% das agroindústrias no Espírito Santo.
Diversidade de métodos e tradição fortalecem a produção de queijos artesanais no estado.
Diversidade de métodos e tradição fortalecem a produção de queijos artesanais no estado.

A produção de queijos artesanais se consolidou como o principal segmento da agroindústria familiar no Espírito Santo.

O estado reúne mais de 1.700 queijarias, responsáveis por mais de 40% das agroindústrias capixabas, evidenciando o peso econômico e social da atividade nas áreas rurais.

Além de gerar renda para agricultores familiares, a produção de queijos artesanais também preserva tradições produtivas e identidades territoriais. A diversidade de métodos e técnicas tradicionais adotadas pelas queijarias contribui para diferenciar os produtos e agregar valor no mercado regional.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o setor reúne características estratégicas para o desenvolvimento rural. A produção de queijos artesanais combina tradição produtiva, geração de renda e dinamização econômica em diferentes regiões do interior capixaba.

Nesse contexto, o governo estadual realizará o Prêmio Queijos do Espírito Santo, concurso que busca ampliar a visibilidade das queijarias locais. O evento ocorrerá nos dias 10 e 11 de março e poderão participar empreendimentos regularizados em serviços oficiais de inspeção, como SIM, SIE ou SIF.

De acordo com o coordenador do concurso pela Secretaria da Agricultura, Jackson Fernandes, a iniciativa pretende divulgar as agroindústrias e ampliar oportunidades para produtores de menor porte. O prêmio contará com nove categorias, incluindo queijos frescos, maturados e o tradicional requeijão de corte, produto característico das queijarias e cooperativas do estado.

Na prática, o concurso funciona como um mecanismo de promoção do setor e de estímulo à formalização e à melhoria da qualidade. A exigência de regularização sanitária para participação reforça o papel da inspeção oficial na estruturação da cadeia produtiva.

Apesar do crescimento do segmento, produtores relatam desafios operacionais e de mercado. Um deles é a concorrência com produtos clandestinos. Jerzio Miranda, da Queijaria Itaiobaia, localizada no município de Serra, afirma que a venda informal de queijos no estado cria competição desleal para quem cumpre as exigências sanitárias e de registro.

A queijaria familiar produz queijo frescal, minas, coalho e requeijão de corte, além de manteiga, iogurte e doce de leite. O empreendimento é registrado no Idaf com selo do Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte (SIAPP).

Outro desafio recorrente está ligado aos custos de adequação sanitária. No Sítio Hollunder, em Marechal Floriano, a produtora Daniela Lopes destaca que cumprir as exigências para iniciar a produção envolve investimentos relevantes. No local, a família produz diferentes tipos de queijo, incluindo brie, cuja maturação leva entre 30 e 40 dias, enquanto variedades como minas frescal e coalho podem ser comercializadas após 24 horas.

A diversidade também se expressa em iniciativas autorais. Em João Neiva, na chamada Rota dos Queijos, a queijaria Giacomin produz mais de 30 tipos de queijo, incluindo variedades desenvolvidas a partir de receitas próprias que combinam tradição italiana e características locais.

Na mesma região, a Vila Veneto Queijaria & Bistrô mantém uma linha de queijos especiais inspirados em estilos europeus, com preços que variam entre R$ 100 e R$ 400 por quilo. O produtor Roberto Cuzini destaca que os custos elevados estão relacionados à produção completa dentro da propriedade, desde o manejo do gado até a transformação do leite.

Em termos de volume, o queijo minas domina a produção estadual. Junto com o minas frescal e o minas padrão, representa cerca de 75% da produção das agroindústrias capixabas.

Outros produtos tradicionais também fazem parte da diversidade regional, como a puína, semelhante à ricota, e o käschimier, parecido com cottage, produzidos em municípios como Santa Maria de Jetibá, Afonso Cláudio, Laranja da Terra e Domingos Martins por comunidades de origem alemã e pomerana.

A produção local ainda inclui variações com especiarias, ervas finas, recheios de geleias ou doce de leite e versões defumadas, ampliando o portfólio e reforçando o caráter artesanal da cadeia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Seu portal de Notícias

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