ESPMEXENGBRAIND
16 mar 2026
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A venda de negócios de consumo à Lactalis e a saída do CEO Miles Hurrell sinalizam uma nova etapa estratégica para a cooperativa neozelandesa.
Com o acordo aprovado e a transição no comando, a Fonterra avança em seu plano de focar em ingredientes e foodservice de maior valor.
Com o acordo aprovado e a transição no comando, a Fonterra avança em seu plano de focar em ingredientes e foodservice de maior valor.

A cooperativa neozelandesa Fonterra entra em uma nova fase estratégica após dois movimentos que redefinem seu futuro:

A aprovação regulatória para a venda de parte relevante de seus negócios de consumo ao grupo francês Lactalis e o anúncio de que seu diretor-executivo, Miles Hurrell, deixará o cargo após oito anos à frente da organização.

Os dois acontecimentos sinalizam a consolidação de uma mudança de rumo iniciada há alguns anos pela maior exportadora de lácteos do mundo. O objetivo da cooperativa é concentrar recursos em áreas consideradas mais estratégicas e rentáveis, principalmente ingredientes lácteos de maior valor agregado e o canal de foodservice.

Acordo bilionário aprovado

O acordo entre Fonterra e Lactalis, avaliado em cerca de NZ$4,22 bilhões (aproximadamente US$2,5 bilhões), recebeu aprovação dos reguladores e deve ser concluído no primeiro trimestre de 2026. A operação envolve a venda de grande parte dos negócios de consumo da cooperativa, além de partes de suas operações em foodservice e ingredientes em regiões como Austrália, Oceania, Oriente Médio e Sudeste Asiático.

A transação representa um dos movimentos corporativos mais relevantes recentes no setor lácteo global. Para a Fonterra, o objetivo é simplificar sua estrutura e concentrar esforços nas áreas em que considera ter maior vantagem competitiva: produção de ingredientes derivados do leite e soluções para clientes industriais e de serviços de alimentação.

O acordo também terá impacto direto para os produtores que compõem a cooperativa. A empresa anunciou um retorno total de capital estimado em NZ$3,2 bilhões para os agricultores acionistas, o que representa aproximadamente NZ$393 mil por fazenda.

Caso a transação seja finalizada até o final de março de 2026, os acionistas registrados até 9 de abril poderão receber o pagamento em meados daquele mês.

Além disso, a cooperativa indicou que pretende distribuir um dividendo especial relacionado aos resultados do negócio conhecido como Mainland Group durante o último exercício financeiro. A estimativa inicial aponta para um valor entre 14 e 18 centavos por ação, refletindo o desempenho operacional da unidade e condições favoráveis de custos e commodities.

Reposicionamento estratégico

A venda dos negócios de consumo faz parte de um reposicionamento estratégico mais amplo iniciado pela Fonterra nos últimos anos. O plano busca reduzir a exposição a atividades consideradas menos alinhadas ao núcleo da cooperativa e direcionar investimentos para segmentos com maior potencial de crescimento.

Entre essas áreas estão ingredientes lácteos especializados, proteínas do leite e produtos voltados ao mercado global de foodservice. A estratégia também inclui investimentos em capacidade industrial e melhorias na cadeia de suprimentos para sustentar a expansão desses segmentos.

Esse movimento já vinha sendo acompanhado de perto por analistas e agentes do setor ao longo de 2025, quando a cooperativa avaliou diferentes alternativas para a venda dos ativos, incluindo uma possível oferta pública inicial. Ao final, a venda direta para a Lactalis foi considerada a forma mais rápida e eficiente de concluir o processo.

Para a multinacional francesa, líder mundial em faturamento no setor lácteo, a aquisição fortalece sua presença em mercados onde sua participação ainda era limitada e amplia sua base de marcas e operações.

Apesar da venda, as duas empresas manterão relações comerciais relevantes. Contratos de longo prazo garantirão que a Lactalis continue sendo um dos principais clientes da Fonterra para fornecimento de leite e derivados.

Transição na liderança

Paralelamente à reorganização estratégica, a cooperativa também anunciou uma mudança importante em sua liderança. Miles Hurrell, que ocupa o cargo de CEO desde 2018, deixará a função após um período de transição de seis meses enquanto o conselho busca um sucessor.

Hurrell tem uma trajetória de cerca de 25 anos na organização e assumiu o comando em um momento de desafios financeiros e estratégicos para a cooperativa. Durante sua gestão, liderou um amplo processo de reestruturação destinado a melhorar o desempenho financeiro e redefinir as prioridades da empresa.

Esse processo incluiu a revisão do portfólio global de negócios, a simplificação da estrutura corporativa e o foco crescente em atividades ligadas à produção de ingredientes lácteos de maior valor.

Com grande parte dessas mudanças estruturais já definidas, o conselho da cooperativa inicia agora a busca por um novo líder que conduza a próxima etapa da estratégia.

Próxima fase

A combinação entre venda de ativos e transição na liderança marca o início de um novo ciclo para a Fonterra. Nos próximos anos, a cooperativa deverá concentrar investimentos em ampliar sua capacidade de produção de ingredientes especializados e fortalecer sua presença em mercados internacionais de maior valor agregado.

Para o setor lácteo global, os movimentos também ilustram uma tendência mais ampla: empresas cada vez mais focadas em nichos estratégicos e em cadeias de valor capazes de gerar retornos superiores para produtores e investidores.

 

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter & eDairyNews EN

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