A cotação do leite apresentou reação no pagamento de fevereiro, referente à produção entregue em janeiro, interrompendo uma sequência de nove meses consecutivos de queda.
A alta foi de 1,0% na comparação mensal, equivalente a R$0,02 por litro, levando a média nacional ponderada a R$2,088 por litro nos 18 estados analisados.
O movimento marca uma inflexão no ciclo recente de preços, mas ainda não configura recuperação plena. Na comparação anual, o valor médio segue 14,3% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, evidenciando que a recomposição de renda ao produtor permanece incompleta.
A principal variável por trás da reação foi o ajuste na oferta. A captação de leite recuou 1,4% em janeiro de 2026 frente a dezembro de 2025, segundo o Índice de Captação da Scot Consultoria. Esse recuo reflete diretamente a pressão acumulada sobre as margens ao longo dos meses anteriores, que levou à redução de investimentos na atividade. Menor produção, portanto, começa a reequilibrar o mercado.
Os dados regionais reforçam um cenário heterogêneo, mas com tendência de estabilização. Entre janeiro e fevereiro, estados como Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram altas, enquanto outros, como Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia, ainda apresentaram recuos. Esse comportamento indica que o ajuste de oferta e a reação de preços não ocorrem de forma uniforme entre as regiões.
No curto prazo, a sinalização do setor industrial é majoritariamente positiva. Para o pagamento de março, referente à produção de fevereiro, 66,0% dos laticínios projetam alta, enquanto 34,0% indicam estabilidade. Não há expectativa de queda entre os agentes consultados. Ainda assim, a intensidade dessa recuperação tende a ser moderada e condicionada ao desempenho do consumo.
O mercado spot reforça essa leitura de recuperação. Na primeira quinzena de março, a referência média entre São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul avançou 20,0%, com aumento de R$0,49 por litro frente à quinzena anterior, alcançando R$2,92 por litro. A valorização foi generalizada, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde a alta chegou a 24,8%.
Esse avanço está diretamente ligado à menor oferta, característica do período de entressafra, que intensifica a disputa entre indústrias pela matéria-prima. Ao mesmo tempo, a demanda mais firme e os reajustes nos preços dos derivados contribuem para sustentar o novo patamar, criando condições para a consolidação da recuperação.
O cenário que se desenha é de transição. A queda na produção já impacta os preços, e o mercado começa a responder. No entanto, a continuidade desse movimento dependerá da capacidade de absorção pelo consumo, fator que tende a definir o ritmo da recuperação ao longo dos próximos meses.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Canal do Boi






