A Languiru avança na reestruturação financeira e operacional após a crise, com renegociação de 52% da dívida incluída no processo de liquidação e faturamento de R$ 542,9 milhões em 2025.
Os movimentos indicam uma retomada baseada na adequação do tamanho da operação e na geração de caixa a partir dos próprios negócios.
O principal vetor de mudança está na gestão do passivo. Em 2023, a dívida total era de R$ 1,17 bilhão, sendo R$ 900 milhões sujeitos à liquidação extrajudicial. Desse montante, mais da metade já foi renegociada, com credores aderindo ao plano e recebendo em pagamentos trimestrais. O mecanismo reduz pressão imediata sobre o caixa e cria previsibilidade, ainda que a cooperativa reconheça que o volume remanescente exige tempo para equacionamento.
No plano operacional, a reestruturação envolveu venda de unidades, redução do quadro de funcionários e redefinição dos negócios prioritários. A cooperativa mantém atividades em aves, com produtos congelados e resfriados e prestação de serviços à JBS, além da atuação em leite com UHT e derivados, apoiada por parceria com a Lactalis. Também segue presente em ração comercial integrada ao segmento de grãos, onde teve papel relevante na secagem para produtores e segue atuando na colheita de milho.
Essa configuração mais enxuta sustenta o atual nível de faturamento e indica uma retomada produtiva alinhada ao novo porte da cooperativa. O foco declarado passa a ser a produção primária, com intenção de ampliar aves de corte como eixo de geração de receita e suporte ao pagamento da dívida.
O ajuste também se reflete na estrutura de trabalho. Após reduzir o quadro de 3,4 mil para 700 funcionários, a cooperativa voltou a contratar, atingindo 1,2 mil empregados. Paralelamente, mantém 1,6 mil associados ativos comercializando sua produção, o que preserva a capilaridade e o vínculo com a base produtiva.
Para a cadeia láctea, o caso mostra um reposicionamento em que o leite permanece como parte do portfólio, mas inserido em uma lógica de diversificação e parcerias industriais. A continuidade da operação em UHT e derivados, mesmo após a crise, indica manutenção de presença no mercado, ainda que subordinada a uma estratégia financeira mais ampla.
O cenário atual não elimina os desafios. A cooperativa segue em liquidação extrajudicial desde 2023 e reconhece que não superou todas as adversidades. Ainda assim, a combinação de renegociação do passivo, ajuste operacional e retomada gradual da produção redefine sua posição, com impacto direto sobre fornecedores, credores e associados que dependem da sua atividade.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Sindilat






