O sorvete de leite de ovelha pode parecer exótico à primeira vista, mas começa a deixar de ser curiosidade para virar tendência entre consumidores que buscam produtos artesanais, cremosos e com origem controlada.
Em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, a gelateria Ovelha Béé reúne criação própria do rebanho, fabricação artesanal e uma cadeia integrada que vai do campo ao produto final.
Toda a matéria-prima utilizada vem da Cabanha Chapecó, criada em 2006 para desenvolver a raça leiteira Lacaune. Hoje, o rebanho ultrapassa mil animais e permite que a empresa controle diretamente qualidade, genética e manejo do leite utilizado nos gelatos.
O diferencial aparece já na textura. Segundo a marca, o leite de ovelha possui maior concentração de gordura e proteína, o que gera um sorvete naturalmente mais cremoso, sem necessidade de tantos complementos industriais. Além disso, o leite apresenta níveis elevados de cálcio, fósforo e vitaminas quando comparado ao leite bovino.
Outro argumento usado pela empresa é a digestibilidade. Pela composição diferente da gordura e das proteínas, o leite de ovelha tende a ser mais leve para algumas pessoas com sensibilidade ao leite tradicional.
A produção ocorre em pequena escala e com receitas autorais. A ideia, segundo a marca, é preservar frescor, sabor e uma experiência mais artesanal, algo que conversa diretamente com o movimento crescente de alimentos premium ligados à origem e rastreabilidade.
Mas Santa Catarina não está sozinha nessa aposta. Na Argentina, a Familia Green, em Pehuajó, também desenvolveu uma linha de sorvetes feitos com 100% de leite de ovelha. O projeto começou em 2014 com um pequeno tambo ovino familiar e hoje produz queijos, doce de leite e gelados que chegaram até bairros premium de Buenos Aires.
Os Green afirmam que começaram a fabricar sorvetes após perceber que o produto já existia em países como Inglaterra, Nova Zelândia e Chile, mas ainda era raro na América do Sul. A família utiliza o leite da raça Pampinta, desenvolvida pelo INTA argentino, e aposta justamente na cremosidade natural e no perfil A2 do leite ovino como diferencial.
O movimento mostra como o leite de ovelha começa a ganhar novos espaços além dos queijos finos. Em vez de competir diretamente com o mercado tradicional, esses empreendimentos apostam em nichos de maior valor agregado, turismo gastronômico e consumidores interessados em experiências diferentes.
Entre curiosidade, inovação e sabor, o sorvete de leite de ovelha deixa de ser apenas uma novidade rural para entrar definitivamente no radar das gelaterias artesanais.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de nd+






