ESPMEXENGBRAIND
11 maio 2026
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🥛 O principal mercado global de lácteos começa a alterar prioridades e envia novos sinais para a indústria exportadora.
📉 A queda nas compras de leite em pó integral contrasta com o avanço dos produtos de maior valor agregado no mercado chinês.
📉 A queda nas compras de leite em pó integral contrasta com o avanço dos produtos de maior valor agregado no mercado chinês.

As importações lácteas da China começaram 2026 mostrando uma mudança relevante no perfil de demanda do principal mercado mundial do setor.

Enquanto o leite em pó integral perdeu força de forma acentuada, produtos com maior nível de processamento, como queijos e fórmulas infantis, ampliaram participação nas compras chinesas.

Entre janeiro e fevereiro, a China importou US$ 1,989 bilhão em produtos lácteos, volume 3% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O dado, elaborado pelo Instituto Nacional do Leite (Inale) com base nas Aduanas chinesas, revela um mercado menos concentrado em commodities tradicionais e mais orientado a segmentos de maior valor agregado.

A principal mudança ocorreu justamente no leite em pó integral, produto central para diversos países exportadores. O volume importado caiu 26%, atingindo o menor nível dos últimos anos. O segmento segue amplamente dominado pela Nova Zelândia, responsável por 95% da origem das compras chinesas, enquanto a Austrália responde por 3%.

A retração tem peso estratégico porque o leite em pó integral continua sendo um dos principais produtos da pauta exportadora láctea para a China. O movimento reforça a necessidade de monitorar não apenas o volume total importado pelo país asiático, mas também a transformação do mix de produtos demandados.

No sentido oposto, os queijos avançaram 31% em volume no primeiro bimestre de 2026, passando de 29.553 para 38.651 toneladas, o maior nível dos últimos quatro anos. O segmento já representa 9% do valor total importado pela China.

A liderança segue concentrada na Nova Zelândia, com 64% das origens, seguida por Austrália, com 16%, e Dinamarca, com 4%. O crescimento chama atenção porque mostra expansão justamente em uma categoria associada a maior processamento industrial, posicionamento comercial e diversificação de portfólio.

As fórmulas infantis, responsáveis por 36% do total importado em valor, também registraram crescimento, com alta de 5% em volume. Holanda, Nova Zelândia e França lideram o fornecimento desse segmento.

Outros produtos apresentaram comportamento mais estável. A categoria de leite e nata avançou 2%, enquanto manteiga e butter-oil recuaram 4%. Já o soro de leite mantém trajetória de queda desde 2022 e registrou retração interanual de 24% nos dados mais recentes.

O cenário reforça uma leitura importante para a indústria exportadora: a China continua sendo um mercado central para os lácteos, mas os sinais atuais apontam para uma demanda menos concentrada em produtos básicos e mais seletiva em relação ao perfil da oferta.

Nesse contexto, a diversificação para categorias como queijos e derivados de maior valor agregado deixa de ser apenas uma alternativa comercial e passa a ganhar relevância estratégica dentro da cadeia láctea exportadora.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Ámbito

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