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22 maio 2026
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Alta do leite ao produtor fortalece derivados lácteos, mas cadeia ainda enfrenta custos elevados e déficit no comércio exterior.
Valorização do leite cru impulsiona derivados e varejo, mas custos altos, importações elevadas e consumo pressionado já freiam o mercado.
Valorização do leite cru impulsiona derivados e varejo, mas custos altos, importações elevadas e consumo pressionado já freiam o mercado.

Depois de meses absorvendo pressão de custos e matéria-prima, a indústria láctea brasileira começou a repassar aumentos ao varejo. Mas o ritmo da valorização já começa a encontrar limites dentro da própria cadeia.

Os dados mais recentes do Cepea mostram que o preço do leite pago ao produtor avançou 10,5% em março frente a fevereiro, atingindo média nacional de R$ 2,3924 por litro. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a alta chega a 17,6%.

O movimento foi impulsionado principalmente pela menor oferta de leite no campo ao longo do início do ano, cenário que apertou os estoques industriais e sustentou reajustes positivos nos derivados.

Esse avanço já começa a aparecer com mais força nas gôndolas. Segundo indicadores do Centro de Inteligência do Leite (CILeite/Embrapa), a cesta de lácteos no varejo subiu 6% em abril, com destaque para o leite UHT, que registrou alta de 13,7% no mês. Queijos, manteiga, leite condensado e iogurtes também avançaram, embora em menor intensidade.

Mesmo assim, o comportamento do varejo ainda revela um mercado sensível. Em 12 meses, a inflação da cesta láctea acumula apenas 1,6%, abaixo da inflação oficial brasileira, mostrando que parte da cadeia ainda encontra dificuldades para repassar integralmente os custos ao consumidor.

Esse equilíbrio delicado começa a gerar sinais de acomodação nas negociações entre indústria e distribuição. O próprio Cepea observa que, apesar do ambiente de valorização, o mercado já demonstra perda gradual de ritmo diante da elevação dos preços ao longo da cadeia.

Ao mesmo tempo, a pressão sobre os custos de produção continua forte. O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,10% em abril na média Brasil, acumulando alta de 3,24% em 2026. Nutrição animal, suplementos minerais e diesel seguem entre os principais fatores de pressão sobre as margens dos produtores.

Ainda assim, houve melhora na relação de troca para o produtor. Dados do CILeite apontam que foram necessários 34,8 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura, patamar praticamente alinhado ao observado nos últimos dois anos para o período.

No comércio exterior, o cenário segue desfavorável para a cadeia brasileira. As importações de lácteos recuaram 9,4% em abril frente a março, somando 213 milhões de litros equivalentes, mas ainda permanecem 34,3% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Já as exportações caíram 29,5% no mês, totalizando apenas 3,9 milhões de litros equivalentes.

Com isso, o déficit acumulado da balança comercial de lácteos em 2026 já alcança US$ 331 milhões, equivalente a 779 milhões de litros de leite.

No mercado internacional, o leite em pó também voltou a subir. O leite em pó integral avançou 1,5% na primeira quinzena de maio, alcançando US$ 3.741 por tonelada, enquanto o desnatado teve alta ainda mais expressiva, de 4,9%.

O cenário confirma uma recuperação importante para o setor após meses de forte deterioração das margens. Mas os sinais recentes também mostram que a valorização encontra resistência crescente em uma cadeia ainda pressionada por custos elevados, consumo sensível e dependência de importações.

Produzido pela eDairyNews, com dados do Cepea e do CILeite/Embrapa Gado de Leite

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