A expansão da Lactalis no Rio Grande do Sul começa a ganhar forma prática e traz um recado relevante para a cadeia láctea: a disputa por leite tende a se intensificar nos próximos anos.
Com investimentos distribuídos em diferentes plantas industriais, a companhia francesa acelera capacidade produtiva justamente em categorias de maior valor agregado, como whey, manteiga e queijos.
A primeira etapa do plano está concentrada em Teutônia, onde a empresa ampliou as linhas de manteiga e whey fit. Segundo a Lactalis Brasil, a produção mensal de manteiga deverá alcançar 1,5 mil toneladas, enquanto o whey fit saltará para 3 mil toneladas por mês. Os investimentos nessas duas linhas devem ser concluídos ainda em 2025.
Os aportes fazem parte de um pacote de R$ 400 milhões anunciado para cinco unidades industriais no Estado. Além de Teutônia, a empresa prevê expansão de requeijão em Santa Rosa, de whey protein e mussarela em Três de Maio e de queijo prato em Ijuí.
Mais do que ampliar volume, o movimento mostra uma estratégia industrial concentrada em categorias de maior processamento e maior captura de valor. O plano inclui também aumento expressivo na produção de queijos. A meta da companhia é atingir 100 mil toneladas anuais até o fim de 2028, avanço de 70% em relação às atuais 58 mil toneladas.
Para sustentar esse crescimento, a empresa reconhece que será necessário ampliar a captação de leite, investir em tecnologia e reforçar mão de obra. Segundo Guilherme Portella, diretor de comunicação, assuntos corporativos e regulatórios da Lactalis Brasil, os projetos dependem da aquisição de máquinas, ajustes de layout industrial e expansão gradual da matéria-prima disponível.
O avanço da captação já começou a aparecer em 2025. De acordo com a companhia, o volume captado pela Lactalis no Rio Grande do Sul cresceu 8% no período, acompanhando a recuperação da produção leiteira observada no Brasil e no Estado.
A ambição da empresa vai além do mercado regional. A Lactalis projeta captar cerca de 4 bilhões de litros de leite no Brasil até 2030. Neste ano, a expectativa é fechar em 2,9 bilhões de litros.
Outro ponto relevante do plano é a manutenção de uma operação voltada à exportação. A planta de Teutônia é responsável pela produção de manteiga com leite gaúcho destinada aos Estados Unidos, sob a marca Président, com previsão de 100 toneladas mensais.
Além das linhas industriais, os investimentos incluem a expansão de centros de distribuição em Ijuí e Teutônia, embora essas etapas ainda não tenham sido iniciadas.
Na prática, a movimentação da Lactalis reforça um cenário de maior competição por matéria-prima, avanço em produtos de maior valor agregado e aprofundamento da estrutura industrial do Rio Grande do Sul dentro da estratégia da companhia no Brasil.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Ciência do Leite






