ESPMEXENGBRAIND
27 maio 2026
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📊 Maio consolidou um mercado dividido entre proteínas sustentadas pela demanda e gorduras pressionadas pela oferta.
⚠️ A diferença de comportamento entre os produtos lácteos expôs um mercado mais seletivo e volátil.
⚠️ A diferença de comportamento entre os produtos lácteos expôs um mercado mais seletivo e volátil.

O mercado lácteo internacional entrou em maio operando sob duas dinâmicas distintas.

De um lado, as proteínas seguiram sustentadas por demanda firme e disponibilidade mais ajustada. Do outro, as gorduras passaram a enfrentar pressão crescente diante da ampliação da oferta global e do enfraquecimento do apetite comprador.

A divergência entre esses dois grupos virou o principal sinal estratégico do mês e ajudou a explicar boa parte dos movimentos observados no Global Dairy Trade (GDT), nos derivativos e nos fluxos comerciais internacionais.

As proteínas lácteas conseguiram manter suporte durante grande parte de maio. O leite em pó integral avançou 2,2% no GDT 403 e mais 1,2% no GDT 404, encerrando o mês em média de US$ 3.772 por tonelada. O leite em pó desnatado também apresentou desempenho positivo, com alta de 3,0% no primeiro evento e estabilidade no segundo, fechando maio em US$ 3.552 por tonelada.

O relatório aponta que a demanda por proteínas permaneceu robusta mesmo em um ambiente de maior volatilidade geopolítica e crescimento da produção global. A sustentação do complexo de SMP ocorreu especialmente pela continuidade do aperto no mercado norte-americano de NDM durante boa parte do mês.

Mas o comportamento das gorduras foi diferente. O mercado de butterfat passou a operar pressionado por oferta mais ampla e sinais mais fracos de demanda. O anhydrous milk fat (AMF) caiu 1,6% no segundo evento do GDT, encerrando o mês em US$ 6.344 por tonelada, após desempenho abaixo das expectativas.

A manteiga mostrou maior volatilidade. Primeiro caiu 2,6%, depois recuperou parte das perdas com alta de 2,5%, fechando o período em US$ 5.674 por tonelada. Ainda assim, o relatório destaca que o mercado enfrentou disponibilidade abundante de creme e maior produção no Hemisfério Norte.

Essa diferença de comportamento revela um mercado mais seletivo. Enquanto proteínas continuam encontrando suporte na demanda internacional, especialmente da Ásia, as gorduras já começam a refletir com mais intensidade o crescimento da produção leiteira global.

Os números de oferta reforçam essa leitura. Em abril, a produção de leite aumentou 2,7% nos Estados Unidos, 4,1% na Austrália, 9,7% no Uruguai e 0,5% na Argentina. A Europa também registrou expansão de 4,0% em março. Ao mesmo tempo, a Nova Zelândia alcançou novo recorde de produção para abril, com crescimento de 6,9% sobre o ano anterior.

Mesmo com esse aumento da oferta, o comércio internacional continua ativo. As exportações da Nova Zelândia cresceram 12,5% em abril, impulsionadas principalmente pelos embarques de leite em pó integral e manteiga. As importações chinesas de leite em pó integral avançaram 63% no mesmo período.

Mas o relatório também mostra que o mercado passou a responder de maneira diferente conforme o produto. O último GDT Pulse do mês registrou queda de preços em praticamente todos os itens, enquanto o CME non-fat dry milk sofreu sua maior queda diária desde 2008.

O resultado é um mercado menos homogêneo e mais sensível ao equilíbrio entre oferta e demanda em cada categoria. Para a cadeia láctea, isso significa que o comportamento médio do mercado passou a esconder realidades distintas entre proteínas e gorduras. Em maio, essa separação deixou de ser pontual e passou a funcionar como a principal narrativa estratégica do setor.

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