A cadeia do leite em Mato Grosso do Sul começa a deslocar o debate do incentivo produtivo para a ocupação efetiva da capacidade industrial instalada.
Durante o tradicional “Leite da Manhã”, promovido pela Frente Parlamentar do Leite na Assembleia Legislativa em alusão ao Dia Mundial do Leite, representantes do setor reforçaram que o próximo desafio do Estado será ampliar a produção para atender uma indústria que hoje opera abaixo do potencial.
Segundo dados apresentados no evento, os laticínios instalados em Mato Grosso do Sul têm capacidade para processar 880 mil litros de leite por dia, mas recebem atualmente cerca de 427 mil litros diários. A diferença expõe um espaço relevante para expansão da oferta sem necessidade imediata de novos investimentos industriais.
O tema apareceu como uma das principais mensagens do encontro, que reuniu produtores, pesquisadores, técnicos, representantes da indústria e autoridades ligadas à cadeia leiteira. O secretário adjunto da Semadesc, Alex Melotto, afirmou que o Estado ainda ocupa apenas metade da capacidade disponível e defendeu uma estratégia estruturada para elevar a produção nos próximos anos.
Dentro dessa lógica, o foco começa a migrar da expansão inicial do programa para mecanismos capazes de garantir regularidade produtiva ao longo do ano. A alimentação do rebanho foi apontada como prioridade para enfrentar a redução de pastagem durante o inverno e diminuir oscilações na entrega de leite à indústria.
A proposta é construir um projeto conjunto entre Governo do Estado, Assembleia Legislativa e associações de produtores para ampliar a efetividade das ações no campo. O entendimento apresentado durante o evento é que aumentar volume sem estabilidade produtiva pode limitar o aproveitamento industrial e reduzir eficiência na cadeia.
Lançado em abril de 2025, o ProLeite consolidou uma agenda baseada em associativismo, assistência técnica, melhoramento genético e apoio à indústria. A estratégia busca enfrentar gargalos históricos da atividade e aumentar competitividade dentro da cadeia leiteira estadual.
Um dos movimentos estruturais do programa foi a criação da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Leite (Assuleite-MS), formalizada em 2025. A entidade já reúne produtores em 53 municípios por meio de 57 associações e cooperativas, ampliando a coordenação entre diferentes regiões produtoras.
Na área de genética, o programa firmou convênio de R$ 4,3 milhões para ampliar ações até 2026 em parceria com o Senar/MS. O pacote inclui 2 mil inseminações artificiais em tempo fixo, 1,2 mil transferências de embriões e distribuição de 427 animais entre bezerras, novilhas e touros.
A execução das ações ocorre por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), responsável pelo acompanhamento das propriedades e pelos diagnósticos reprodutivos. A expectativa é elevar produtividade e qualidade dos rebanhos para sustentar o crescimento da produção e melhorar o aproveitamento da estrutura industrial já existente no Estado.
O avanço do ProLeite também deve pautar o IV Seminário Estadual do Leite, realizado pela Assembleia Legislativa com o tema “O Futuro do Leite no MS: Produtividade, Saúde e o Impacto dos Novos Hábitos Alimentares”. O evento reforça que o setor passa a discutir não apenas crescimento da produção, mas também eficiência, estabilidade de oferta e capacidade de adaptação da cadeia leiteira.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por SEMADESC






