ESPMEXENGBRAIND
28 maio 2026
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📈 Alta dos futuros e melhora nos leilões da GDT recolocam o leite acima de US$10 nas projeções da NZX.
Demanda por proteínas e exportações firmes reforçam expectativa positiva no mercado leiteiro.
Demanda por proteínas e exportações firmes reforçam expectativa positiva no mercado leiteiro.

O mercado voltou a trabalhar com leite acima de US$10/kgMS na Nova Zelândia.

Depois de semanas de maior fragilidade nos preços internacionais, maio marcou uma mudança relevante no sentimento dos agentes financeiros ligados ao setor lácteo, impulsionada principalmente pela recuperação dos derivados negociados na Global Dairy Trade (GDT) e pela firmeza das proteínas lácteas.

O relatório mensal da NZX mostra que a projeção para o preço do leite na temporada 2026/27 subiu de US$9,62/kgMS para US$10,10/kgMS ao longo de maio, após dois resultados positivos consecutivos nos leilões GDT 403 e 404. O valor spot do leite no modelo chegou a US$10,15/kgMS no fechamento do período.

A mudança não veio de um movimento especulativo isolado. O mercado passou a reagir a uma combinação de fatores que reforçaram a percepção de sustentação dos preços, especialmente no leite em pó integral (WMP) e no leite em pó desnatado (SMP).

Os eventos da GDT registraram altas de 1,5% e 0,6% no índice geral, com o WMP avançando até US$3.772/t e o SMP encerrando maio em US$3.552/t. Segundo a NZX, os pós lácteos foram o principal motor da recuperação das cotações, enquanto o complexo de proteínas continuou sustentado pela oferta apertada em alguns mercados.

Essa leitura também apareceu no mercado futuro. Os contratos SGX-NZX Milk Price Futures para setembro de 2026 avançaram para US$9,88/kgMS, enquanto setembro de 2027 subiu para US$9,76/kgMS. Já os contratos de setembro de 2028 tiveram valorização de 3,3% em relação a quatro semanas antes.

Ao mesmo tempo, o relatório indica que a produção global de leite continua crescendo, mas ainda sem provocar um cenário de excesso significativo de oferta. A Nova Zelândia segue como destaque desse movimento. A produção de abril atingiu recorde histórico de 160,5 milhões de kgMS, alta de 6,9% na comparação anual, com a temporada acumulando avanço de 4,4%.

Os Estados Unidos também ampliaram produção em abril, enquanto Europa, Austrália, Uruguai e Argentina registraram crescimento. Na direção oposta, a produção chinesa continuou em retração.

Mesmo com maior disponibilidade de leite no mercado internacional, a demanda por proteínas lácteas seguiu oferecendo suporte às cotações. A NZX destaca o fortalecimento das exportações da Nova Zelândia, que cresceram 12,5% em volume em abril, puxadas por aumentos de 29% nos embarques de WMP e de 28% em SMP.

A China voltou a aparecer como um fator importante nessa dinâmica. As importações chinesas de WMP cresceram 63% no período, enquanto as compras totais de lácteos avançaram 11%.

Para a cadeia leiteira, o movimento dos futuros tem peso estratégico porque antecipa expectativas de remuneração e influencia decisões de produção, comercialização e proteção de margem. O retorno do mercado para níveis próximos ou acima de US$10/kgMS indica que, apesar da volatilidade internacional e das incertezas geopolíticas citadas pela NZX, os agentes seguem enxergando fundamentos relativamente firmes para o setor.

O próprio relatório ressalta que a direção do mercado continuará dependente do comportamento da demanda internacional, dos custos logísticos e dos impactos geopolíticos sobre as compras globais. Ainda assim, a Nova Zelândia entra na próxima temporada em posição considerada forte pela consultoria, apoiada por produção recorde, exportações aquecidas e preços mais sustentados nos derivados lácteos.

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