A disputa pela fábrica que produzia iogurtes e sobremesas da SanCor em Arenaza, na província de Buenos Aires, tornou-se um dos movimentos mais observados da indústria láctea argentina.
Embora a ARSA tenha encerrado suas operações após a decretação de falência, os ativos industriais e as marcas ligadas ao negócio continuam despertando forte interesse entre grandes grupos do setor.
Segundo informações citadas por fontes da atividade, empresas como Tregar, Adecoagro, Punta del Agua e Grupo Elcor aparecem entre os interessados na planta onde eram produzidos itens como SanCor Yogs, SanCor Vida, SanCor Shimy, Sublime, Vida e Sancorito.
O caso chama atenção porque mostra que a falência de uma companhia não significa necessariamente a perda de valor de seus ativos. Pelo contrário. A antiga unidade da ARSA passou a ser vista como uma oportunidade estratégica por empresas que buscam ampliar capacidade industrial ou fortalecer sua presença em segmentos de maior valor agregado, como iogurtes e sobremesas refrigeradas.
A fábrica de Arenaza pertencia à ARSA, empresa controlada por acionistas do Vicentin Family Group e administrada, com opção de compra, pela venezuelana Maralac. O processo chegou ao fim quando a Justiça decretou a falência da companhia, determinando a liquidação dos ativos e o encerramento definitivo das operações. As instalações foram fechadas meses depois, incluindo também a planta localizada em Monte Cristo, na província de Córdoba.
Agora, o cenário é outro. Fontes consultadas pelo jornal argentino La Nación afirmam que existe uma disputa entre diferentes empresas interessadas em ativos que integraram o universo industrial da SanCor. A avaliação predominante é que dificilmente um único grupo ficará com todos os ativos disponíveis. A tendência observada pelos atores do setor é uma divisão entre diferentes compradores.
Mais do que uma operação isolada, o movimento é interpretado como parte de uma reorganização mais ampla da indústria láctea argentina. O interesse de empresas nacionais e estrangeiras por plantas industriais sugere que determinados ativos, que durante anos operaram com baixa atividade ou permaneceram praticamente paralisados, voltaram ao radar dos investidores.
Nesse contexto, a planta de Arenaza aparece como um dos ativos mais cobiçados. A presença de nomes relevantes da indústria entre os potenciais compradores reforça a percepção de que existe uma corrida por capacidade instalada e por marcas que ainda mantêm reconhecimento no mercado.
Para o especialista Alejandro Sammartino, o processo reflete uma transformação estrutural em andamento. Segundo ele, empresas com dificuldades financeiras tendem a perder espaço para grupos com maior capacidade de investimento e estrutura de capital mais robusta.
Ao mesmo tempo, Sammartino destaca que o interesse demonstrado por diferentes investidores representa um sinal positivo para o setor. Na sua visão, a entrada de novos capitais e a busca por ativos industriais indicam que a atividade láctea argentina continua sendo vista como competitiva e estratégica.
Enquanto a Justiça avança na definição do mecanismo de venda dos ativos da ARSA, a pergunta que mobiliza o mercado permanece aberta: quem ficará com as marcas e a capacidade industrial que durante anos estiveram associadas aos iogurtes e sobremesas da SanCor?
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por LA NACION






