ESPMEXENGBRAIND
24 jul 2026
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🏭 Adecoagro, Milkaut, Punta del Agua, Elcor e outros grupos disputam os ativos da SanCor, avaliados em pelo menos US$ 52,1 milhões.
Marcas da SanCor atraem interessados após quebra da ARSA
Apesar da deterioração financeira da cooperativa, suas marcas, unidades industriais e estrutura logística continuam representando ativos de elevado valor estratégico.

A venda dos ativos da SanCor entrou em uma nova etapa e confirmou aquilo que o mercado vinha antecipando há meses: a histórica cooperativa argentina continua sendo um dos ativos mais disputados da indústria láctea sul-americana.

Dez empresas adquiriram oficialmente o edital da licitação judicial que definirá o destino do patrimônio da companhia, marcando a passagem das especulações para um processo formal conduzido pela Justiça argentina.

Segundo documentos apresentados pelo síndico Ignacio Martín Pacheco Huber e pela coadministradora Lucila I. Prono ao juiz Marcelo Gelcich, responsável pelo processo de falência, a quantidade de interessados superou as expectativas iniciais e reúne perfis bastante distintos, desde grandes operadores industriais até investidores especializados e empresas regionais.

Quem disputa os ativos da SanCor

Os compradores do edital são:

  • SanCor Seguros
  • PDA Punta del Agua
  • Milkaut S.A.
  • L3N S.A. (Adecoagro)
  • Jewell Especialidades S.A. / Ceibos Group
  • Finanzas y Gestión S.A.
  • Fidulac
  • Failar S.A. / Tarantela
  • Elcor / La Tonadita
  • Alimentos Fransro S.R.L.

 

A composição da lista revela que a disputa vai além do próprio setor lácteo. Participam grupos industriais consolidados, investidores financeiros, seguradoras e empresas regionais, reforçando a percepção de que os ativos da cooperativa continuam sendo considerados estratégicos, apesar da falência.

Entre os nomes de maior destaque aparecem a Milkaut, tradicional indústria argentina com forte atuação exportadora, e a L3N S.A., empresa vinculada à Adecoagro, um dos maiores grupos agroindustriais da América do Sul.

Interesse acima das expectativas

No relatório encaminhado ao magistrado, a administração judicial destacou que a resposta do mercado foi superior ao esperado.

Segundo o documento, o processo conseguiu reunir operadores lácteos de primeira linha com presença nacional e internacional, investidores com capacidade para estruturar operações complexas e empresas regionais com profundo conhecimento da atividade.

Esse cenário reforça a avaliação de que, apesar da deterioração financeira da cooperativa, suas marcas, unidades industriais e estrutura logística continuam representando ativos de elevado valor estratégico.

O que está em jogo

A licitação envolve fábricas industriais e ativos intangíveis da SanCor, com preço mínimo conjunto fixado pela Justiça em US$ 52,1 milhões.

As propostas deverão ser entregues até a manhã de 20 de julho, data em que também ocorrerá a abertura oficial dos envelopes.

A expectativa do mercado é que o processo permita a retomada de parte da capacidade industrial hoje ociosa, contribuindo para recuperar a captação de leite, preservar empregos, reativar fornecedores e reconstruir relações comerciais interrompidas durante a crise.

Como a SanCor chegou à falência

A crise judicial da cooperativa começou em fevereiro de 2025, quando foi iniciado o processo de recuperação judicial preventiva diante da incapacidade financeira para honrar seus compromissos.

Ao longo do procedimento, tornou-se evidente a dimensão do passivo acumulado. A falência registrou 1.519 pedidos de verificação de créditos, incluindo dívidas comerciais, financeiras, fiscais e trabalhistas, além de obrigações com fundos internacionais superiores a US$ 86 milhões.

Em abril de 2026, o juiz Marcelo Gelcich decretou oficialmente a falência da SanCor Cooperativas Unidas Limitada, autorizando a continuidade temporária das operações enquanto fosse organizada a venda dos ativos.

De gigante da América Latina à venda judicial

Durante décadas, a SanCor figurou entre as maiores cooperativas lácteas da América Latina, chegando a processar mais de 3 milhões de litros de leite por dia.

A prolongada crise financeira reduziu drasticamente essa capacidade. Das 14 plantas industriais que chegou a operar, restaram apenas cinco em funcionamento, enquanto o volume diário de processamento caiu para menos de 500 mil litros até o fim de 2024.

Agora, a definição dos novos controladores poderá marcar não apenas o encerramento definitivo de um dos capítulos mais emblemáticos da história da indústria láctea argentina, mas também o início de um novo ciclo para ativos que continuam despertando o interesse de grandes investidores do setor.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Forbes

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