A estabilidade do setor leiteiro no RS passou a ser o principal sentimento entre os produtores gaúchos em 2026.
Depois de um período marcado por forte oscilação nas cotações, o mercado entrou em uma fase de maior previsibilidade, com preços praticamente estáveis e custos de produção sem grandes pressões, criando um ambiente considerado mais confortável para quem produz leite.
O valor de referência do leite projetado para junho ficou em R$ 2,4281 por litro, praticamente no mesmo nível do resultado consolidado de maio, de R$ 2,4302. Segundo o Conseleite/RS, o comportamento confirma a trajetória de estabilidade observada ao longo do mercado neste ano.
A diferença fica mais evidente quando comparada ao início do ano. Em janeiro, o valor de referência pago ao produtor era de R$ 2,0560 por litro, enquanto no último mês de 2025 estava em R$ 2,0180, mostrando uma recuperação seguida por um período de equilíbrio.
Os números são calculados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base nas informações fornecidas pelas indústrias sobre a movimentação dos primeiros 20 dias de cada mês.
Para Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS, o cenário atual representa uma mudança importante para toda a cadeia.
Segundo ele, 2026 tem sido positivo para produtores, indústria e consumidores, já que os derivados lácteos também não registram grandes aumentos de preços. Após uma recuperação observada em abril, maio e junho mantiveram o mesmo comportamento, consolidando um ambiente de maior previsibilidade.
Mesmo reconhecendo que as margens permanecem mais ajustadas do que em 2024 e no primeiro semestre de 2025, Palharini considera que o produtor hoje enfrenta uma realidade menos desgastante do que nos períodos de grandes oscilações, quando altas expressivas eram seguidas por quedas igualmente intensas.
Outro fator que contribui para esse ambiente é o comportamento dos custos. Segundo o dirigente, não houve aumentos significativos nos principais insumos utilizados na alimentação do rebanho, especialmente milho e farelo de soja, o que ajuda a reduzir a pressão sobre a atividade.
Os indicadores da Farsul reforçam essa percepção. O Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru (ILC) registrou deflação de 0,72% em maio, resultado atribuído à maior estabilidade cambial e à redução dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo.
A entidade destacou que a queda dos combustíveis e dos fertilizantes foi decisiva para esse resultado. No setor de grãos, uma leve valorização do milho, de 0,2%, foi compensada pela retração mais intensa da soja, de 2,8%.
Apesar do recuo geral dos custos, alguns componentes continuaram pressionando a atividade. A energia elétrica apresentou alta de 6,2% em maio, influenciada por alterações nas faixas horárias de consumo e por bandeiras tarifárias mais elevadas. O sal mineral também subiu 2,4%, reflexo de dificuldades logísticas envolvendo o fornecimento de ácido fosfórico proveniente do Marrocos.
No acumulado de 2026, o índice de custos registra alta de 0,33%, indicando o retorno de algumas pressões após um período de deflação. Já na comparação dos últimos 12 meses, o indicador ainda apresenta retração de 0,8%, favorecida principalmente pelas quedas nos preços da silagem (-9,2%) e do concentrado (-6,9%).
Mesmo com esse cenário mais equilibrado, nem todas as preocupações desapareceram.
Para Palharini, a forte presença de leite em pó importado da Argentina e do Uruguai continua sendo um dos principais desafios para a cadeia leiteira gaúcha. Segundo ele, embora tenha sido comprovada a prática de dumping, ainda não foram adotadas alíquotas complementares para a entrada desses produtos.
Ele afirma que a participação do leite em pó e de outros derivados provenientes da Argentina e do Uruguai está próxima de 10% do consumo nacional, enquanto até 2022 essa participação representava cerca de 2%.
Também a Farsul faz um alerta sobre a comercialização. Embora alguns custos tenham recuado, a entidade aponta que o preço pago ao produtor registrou queda aproximada de 9%, enquanto o IPCA de Leite e Derivados acumulou inflação de 3,3%, cenário que continua pressionando as margens operacionais e deteriorando as relações de troca para o produtor primário.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Correio do Povo






