ESPMEXENGBRAIND
7 ago 2026
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🐄 Um número por dia, por animal, começa a preocupar quem vive da produção leiteira no Rio Grande do Sul.
Niño
🌡️ Entre chuva demais e calor fora de hora, o pasto gaúcho está mudando — e o rebanho sente primeiro.

O Rio Grande do Sul enfrenta um julho fora da curva. As chuvas acima da média provocadas pelo El Niño, combinadas com temperaturas mais altas do que o esperado para o período, já comprometem a oferta e a qualidade do pasto natural em diversas regiões do Estado — e a conta chega direto ao bolso do produtor.

O cálculo é direto: um animal pode perder até 0,5 quilo de peso vivo por dia em períodos desfavoráveis. Considerando o quilo vivo a R$ 12, essa perda representa R$ 6 de prejuízo diário por cabeça, segundo Soraya Tanure, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O motivo está no comportamento do próprio rebanho. As oscilações bruscas de temperatura somadas ao excesso de umidade alteram a forma como os animais se alimentam e se movimentam, e isso repercute diretamente no desempenho produtivo.

Em situações mais críticas, o gado deixa de ganhar peso ou passa a perder massa corporal — resultado da menor ingestão de alimento, da maior ocorrência de doenças e da dificuldade de deslocamento em solos encharcados pela chuva constante.

Na pecuária leiteira, o impacto tende a ser ainda mais sensível. O estresse térmico afeta diretamente a produção, e as vacas em início de lactação — entre 50 e 70 dias após o parto, período em que estão no pico produtivo — são as mais expostas às variações de temperatura, segundo Soraya.

Diante desse cenário, a especialista defende que a suplementação alimentar é o caminho mais eficiente para compensar a queda na disponibilidade de nutrientes das pastagens. Uma das alternativas é a silagem de milho, usada por cerca de 60 dias, exatamente o período em que as condições do pasto costumam limitar mais o desempenho animal.

E aqui o argumento é também financeiro: o custo de suplementar um animal de 400 quilos, na proporção de 1% do peso vivo, fica próximo dos mesmos R$ 6 diários que o produtor perderia deixando o animal sem reforço alimentar. Ou seja, a conta praticamente se equilibra — mas com o rebanho mantendo peso em vez de perdendo.

Para áreas com maior capacidade de suportar o pisoteio do gado, existe ainda outra opção: o sal proteinado, na proporção de 1 grama por quilo de peso vivo. Para um bovino de 400 quilos, o custo estimado varia entre R$ 3 e R$ 5 por dia, dependendo da formulação escolhida.

Segundo Soraya, a lógica por trás do investimento em suplementação vai além de evitar a perda imediata. Manter o peso do rebanho durante o inverno permite uma recuperação mais rápida do sistema produtivo assim que a primavera chega e as pastagens voltam a crescer — reduzindo, inclusive, a necessidade de suplementação nesse período seguinte.

O oposto também é verdadeiro: quem não adota medidas preventivas agora corre o risco de pagar mais caro depois. Se os animais perderem condição corporal ou a produção de leite cair, o produtor precisará investir mais em alimentação, sanidade e manejo só para recuperar os índices que tinha antes das chuvas.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Presente Rural

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