Uma fazenda na comunidade de Piteiras, na zona rural de Divinópolis (MG), tornou-se referência local depois de reorganizar completamente a rotina do rebanho leiteiro.
O produtor Alisson Gonzaga trocou o pasto por um galpão coberto e, com isso, viu a produção de cada animal saltar de 18 para 40 litros de leite por dia.
A mudança começou há quatro anos, quando Gonzaga decidiu adotar o Compost Barn, um modelo de confinamento que ainda é pouco difundido no país. No sistema, as vacas não pastam livremente: elas permanecem soltas dentro de um galpão aberto, mas protegido, descansando sobre uma extensa cama de material orgânico — serragem, casca de amendoim ou palha, conforme a disponibilidade.
Na propriedade de Alisson, essa estrutura tem 54 metros de comprimento por 24 metros de largura e abriga atualmente 90 vacas em lactação. O espaço vai além de oferecer abrigo contra sol e chuva: cria um ambiente controlado, pensado para reduzir o estresse térmico e físico dos animais.
Segundo o zootecnista Luiz Fernando Botello, é justamente esse conforto que explica boa parte do salto produtivo. Para ele, quando o animal tem melhores condições de descanso e bem-estar, consegue expressar de forma mais plena seu potencial genético de produção — algo que, muitas vezes, fica limitado em sistemas tradicionais a pasto.
Mas o modelo não funciona sozinho. A cama orgânica, descrita como o centro do sistema, exige manejo constante para se manter em condições adequadas de umidade e evitar problemas de saúde no rebanho. Na fazenda de Divinópolis, o material é revolvido três vezes ao dia, com acompanhamento próximo da umidade e das condições gerais do espaço.
Esse cuidado tem um retorno adicional depois que a cama cumpre sua função junto aos animais. De acordo com Luiz Fernando, o material utilizado no Compost Barn pode ser transformado em composto orgânico, sendo aproveitado posteriormente nas lavouras da propriedade. O produto final é descrito como rico em nutrientes, entre eles o fósforo.
Ainda que represente uma fatia pequena da produção leiteira nacional, o Compost Barn vem despertando interesse crescente entre produtores brasileiros.
A combinação de tecnologia de manejo, bem-estar animal e ganho de produtividade tem colocado o sistema no radar de quem busca alternativas ao modelo tradicional de criação a pasto — como mostra a experiência da fazenda em Piteiras, onde a produção por animal mais que dobrou em quatro anos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por G1






