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12 ago 2026
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💧 Um milhão de litros por dia, seis centenas de aspersores e um pasto que não seca: entenda o que está por trás desses números.
água
Marajoara Laticínios recicla água e beneficia produtores rurais.

O Brasil abriga a maior reserva de água doce do planeta, mas esse privilégio geográfico tem um efeito colateral: a sensação de abundância leva à negligência.

Somente em 2022, o país desperdiçou cerca de 7 bilhões de metros cúbicos de água, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Considerando o consumo médio por habitante no Brasil, de 154 litros diários segundo a Organização das Nações Unidas, esse volume perdido seria suficiente para abastecer 124 mil pessoas durante um ano inteiro.

É nesse cenário que o reúso de água ganha relevância dentro da cadeia industrial — e a produção de laticínios está diretamente implicada nele.

De acordo com o Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil, publicado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a indústria é o terceiro maior setor consumidor de água do país, e 40,5% de tudo o que esse setor extrai é destinado à produção de alimentos — uma fatia que tende a crescer, já que o setor industrial avançou 8,4% em 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Em Hidrolândia, no interior de Goiás, a Marajoara Laticínios decidiu ir na contramão desse cenário de desperdício. Desde 2018, a empresa opera um projeto que une tratamento de efluentes, reaproveitamento hídrico e apoio a produtores rurais da região — uma combinação que, segundo a companhia, ajuda a manter pastagens produtivas mesmo durante períodos de seca intensa como o atual.

O processo começa dentro da própria fábrica, em uma estação de tratamento de efluentes (ETE) que utiliza a técnica de flotação de ar dissolvido (FAD). Por esse método, a água residual da produção é purificada a um nível superior a 90%, patamar acima do exigido pela legislação ambiental. Dessa separação surgem dois destinos distintos: a água tratada e uma biomassa orgânica rica em nutrientes.

A biomassa, que antes era enviada a uma fazenda de compostagem, passou a ter outro uso depois que estudos internos identificaram seu potencial como adubo natural. Hoje, ela é transportada por caminhões-pipa até pastos de produtores rurais cadastrados junto à empresa, funcionando como fertilizante para o solo.

Já a água tratada segue outro caminho: por tubulação, é conduzida até um pasto destinado à criação de gado de corte, a um quilômetro do parque fabril. Ali, um sistema de irrigação com cerca de 600 aspersores mantém a área verde mesmo nos meses mais secos. Segundo Vinícius Junqueira, diretor geral da Marajoara, o volume médio irrigado é de 75 mil litros de água por hora a cada intervalo de 12 horas — o que soma cerca de 1 milhão de litros de água de reúso por dia. Depois de nutrir a pastagem, a água é absorvida pelo solo e retorna ao lençol freático, fechando o ciclo.

“Nesse processo a água é purificada a um nível superior a 90%, bem acima do que exige a legislação ambiental. Dessa separação entre a água e as impurezas, é gerado uma biomassa orgânica que é rica em nutrientes que são importantíssimos para o solo”, explica Junqueira sobre a tecnologia empregada pela ETE da empresa.

O modelo já passou pelo crivo técnico do poder público: as iniciativas foram avaliadas e validadas por um estudo da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás. Em 2021, o projeto também foi reconhecido nacionalmente pelo Crea de Meio Ambiente, vencendo na categoria Elementos Naturais.

Em um país onde o desperdício de água ainda é tratado como um problema distante — ao contrário de riscos imediatos que ativam alerta instintivo, como atravessar uma rua movimentada —, casos como o da Marajoara mostram que a cadeia produtiva do leite pode ser parte da solução, e não apenas do problema.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal Serra Dourada News

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