ESPMEXENGBRAIND
16 ago 2026
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🐄 Às 5h30 já estão na ordenha: conheça a rotina que mistura tecnologia, tradição e a luta diária pelo preço do leite.
free stall
🌱 Entre a ordenha, o milho e a faculdade dos filhos, uma rotina revela os desafios de quem vive do leite no Paraná.

São 5h30 da manhã na comunidade do Manduri, em Marmeleiro, e Eliziane Arnholt já está a caminho do galpão. Com a ajuda de uma funcionária, ela cuida da ordenha das 60 vacas em lactação da propriedade.

O marido, Sandro, assume o trato dos animais e a limpeza dos barracões. É uma rotina que se repete todos os dias — mas que, segundo Eliziane, esbarra num problema que a tecnologia sozinha não resolve: o preço do leite.

“Não está fácil e os laticínios não nos dão estabilidade para que possamos nos manter”, desabafa. Ela explica que os valores pagos ao produtor não acompanham o alto custo de produção e lembra de uma particularidade do setor que aumenta a pressão sobre quem produz: o leite não pode ser armazenado. “É um produto que não podemos armazenar e estamos na mão dos laticínios, porque são eles que fazem o preço.”

A produção da família funciona há pelo menos 15 anos no sistema free stall — galpões com áreas abertas e baias individuais. A trajetória, no entanto, passou por outras fases. Até pouco tempo atrás, o casal trabalhava com o confinamento compost barn e migrou de volta para o free stall. Antes disso, a criação era feita a pasto, no início da atividade leiteira, que começou cinco anos depois de Eliziane e Sandro se casarem — hoje eles somam 20 anos de casados.

Se o preço ainda é motivo de reclamação, a tecnologia é apontada por Eliziane como uma das poucas aliadas do produtor nos últimos anos. “Era tudo braçal. Hoje as máquinas, trator, pulverizador e plantadeira fazem a maioria e isso nos ajuda muito. Era tudo muito demorado e com a tecnologia conseguimos fazer tudo de forma mais ágil por causa do intervalo de tempo”, conta.

O trabalho no campo não ocupa só os dias úteis. Na propriedade, o milho recebe atenção especial: uma vez por ano é feita a silagem para alimentar todo o rebanho, e o que sobra da área é destinado ao plantio de soja, usada como complemento de renda. É uma rotina “bem corrida”, como define Eliziane, mas que ela diz valer a pena. “Gostamos muito do que fazemos, de lidar com os animais, isso é muito legal.”

Fora da lida diária, Eliziane também reserva espaço para a vida comunitária. Ela participa da diretoria do clube de mães, que se reúne a cada 30 dias, e é atuante na capela e na comunidade. “Nos reunimos para momentos de entretenimento com as amigas, conversar, dar risada, não ficar sempre naquela rotina diária”, conta.

Para ela, é justamente esse equilíbrio — entre trabalho pesado e qualidade de vida — que sustenta a permanência da família no interior. “O ar que a gente respira no interior é melhor e aqui é tudo mais calmo. Temos contato com a natureza e com os animais. Isso é gratificante”, afirma.

A próxima geração já sinaliza para onde caminha essa história. Dos dois filhos do casal, Ana Cristina, de 20 anos, cursa Engenharia de Bioprocessos na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no campus de Dois Vizinhos, enquanto Marcos, de 18, estuda Análise de Sistemas em Francisco Beltrão — carreiras que, cada uma à sua maneira, dialogam com o universo em que cresceram.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Jornal de Beltrão 

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