ESPMEXENGBRAIND
21 ago 2026
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🐄 Depois de um salto histórico em 2025, a produção de leite no país mudou completamente de ritmo.
captação
📊 A Pesquisa Trimestral do Leite trouxe um dado que resume as tensões vividas pelo setor este ano.

A captação de leite no Brasil fechou o segundo trimestre de 2026 em um patamar inédito para o período, mas o resultado esconde uma desaceleração importante no ritmo de crescimento do setor.

Segundo dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL), do IBGE, o país captou 6,614 bilhões de litros entre abril e junho, volume 1,0% maior do que o registrado no mesmo trimestre de 2025 e o maior já contabilizado para um segundo trimestre desde o início da série histórica, em 1997.

O novo patamar superou o recorde anterior, de 6,55 bilhões de litros, alcançado exatamente um ano antes. Mas a comparação entre os dois períodos revela uma mudança de cenário: enquanto o 2º trimestre de 2025 havia crescido 10,2% sobre o mesmo intervalo de 2024, em 2026 o avanço ficou em apenas 1,0%.

Mês a mês, o comportamento também mostra um crescimento mais contido. Em abril, a captação somou 2.163.559 mil litros, alta de 1,9% na comparação anual; em maio, 2.231.420 mil litros, com avanço de apenas 0,4%; e em junho, 2.219.013 mil litros, 0,7% acima do mesmo mês de 2025.

Frente ao primeiro trimestre deste ano, houve recuo de 2,5% no volume captado — movimento típico da sazonalidade da produção leiteira e da chegada da entressafra em boa parte do país. Ainda assim, o volume do segundo trimestre permaneceu acima do registrado um ano antes.

A explicação para a desaceleração está no que aconteceu ao longo de 2025. No início daquele ano, os preços pagos ao produtor e a rentabilidade da atividade estavam em níveis elevados, o que estimulou a expansão da produção e resultou no forte crescimento do 2º trimestre de 2025. Só que, ao longo do próprio ano, o aumento da oferta pressionou para baixo os preços pagos ao produtor e reduziu as margens da atividade.

O leite perdeu competitividade frente ao custo da ração e da arroba do boi gordo, e o produtor passou a precisar de mais litros de leite para comprar os mesmos insumos. Em algumas propriedades, o abate dos animais do rebanho chegou a se tornar mais atrativo economicamente do que manter a produção leiteira.

O fim do segundo trimestre de 2026 também marcou o início da safra de leite em parte da região Sul do Brasil, uma das principais bacias produtoras do país. A partir de junho, as condições mais favoráveis de produção começaram a impulsionar a recuperação sazonal da oferta, aumentando a disponibilidade de leite no mercado interno.

Apesar do volume elevado na comparação anual, a demanda por lácteos seguiu aquecida ao longo do período, o que ajudou a absorver a oferta adicional. Já nos meses seguintes ao trimestre, a menor disponibilidade de leite favoreceu uma recuperação dos preços pagos ao produtor: tanto em junho quanto em julho de 2026, os valores pagos superaram os registrados nos mesmos meses de 2025.

Para o que vem pela frente, a expectativa é de que a disponibilidade de leite continue aumentando, principalmente com o avanço da safra na região Sul a partir de junho, o que deve elevar a captação nos próximos meses e manter a oferta em níveis altos — um ponto de atenção para o equilíbrio do mercado.

A dinâmica da produção, no entanto, pode ser afetada pelas condições climáticas, especialmente pela intensificação do fenômeno El Niño, que tem potencial para alterar o regime de chuvas e impactar o desempenho das principais bacias leiteiras do país.

Por outro lado, a manutenção da demanda aquecida, combinada com a melhora dos preços pagos ao produtor, aponta para um cenário mais favorável à atividade leiteira. A expectativa é de que a rentabilidade do produtor nos próximos meses supere os níveis observados no mesmo período de 2025, o que deve sustentar o estímulo à produção ao longo do segundo semestre.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Sindilat

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