A CCGL está reorganizando sua atuação no setor lácteo a partir de uma combinação que aproxima três etapas tradicionalmente tratadas de forma separada: produção, processamento e logística.
Sob a presidência de Caio Cezar Fernandes Vianna, a cooperativa central passou a concentrar esforços na industrialização de derivados, no uso de dados para gestão e na operação de infraestrutura portuária.
A mudança ocorre em um mercado descrito na fonte como marcado pela volatilidade dos preços, pela concorrência de produtos importados e por alterações nos hábitos de consumo. Nesse cenário, a estratégia da cooperativa é deslocar parte do foco para ingredientes destinados à indústria de alimentos, incluindo leite em pó integral, leite em pó desnatado, soro de leite e compostos lácteos.
Menos dependência do leite fluido
A industrialização ocupa papel central nesse desenho. Em vez de concentrar a operação no mercado consumidor de leite fluido, a CCGL direciona sua estrutura para produtos destinados ao segmento B2B.
A lógica apresentada pela cooperativa é buscar maior estabilidade de margem e reduzir a exposição às oscilações do mercado de leite em caixinha. O processamento industrial também está associado à busca por maior eficiência nos custos de fabricação e ao aumento da capacidade diária de produção de leite em pó e derivados.
A unidade industrial de Cruz Alta aparece, nesse modelo, como um dos principais pontos de conexão entre a matéria-prima captada das propriedades e a produção de ingredientes lácteos.
Essa integração também é acompanhada por mecanismos de rastreabilidade, com monitoramento da cadeia de suprimentos desde o manejo nutricional do rebanho até o envase dos produtos.
O dado passa a fazer parte da rotina da propriedade
A transformação não fica restrita à fábrica. A CCGL utiliza o aplicativo e a plataforma de inteligência do programa Smartcoop para levar ferramentas digitais às propriedades associadas às cooperativas singulares.
Entre as aplicações descritas estão o monitoramento de talhões, previsões meteorológicas, controle de custos de produção e gestão zootécnica do rebanho pelo celular.
O objetivo é aproximar a tomada de decisão no campo das informações disponíveis em tempo real. Paralelamente, a unidade de pesquisa da cooperativa trabalha com melhoramento forrageiro, nutrição animal, qualidade do leite e manejo sustentável do solo.
Esses conhecimentos são transferidos aos produtores por meio das equipes técnicas das cooperativas singulares, com foco no aumento da produtividade por vaca e na redução do custo por litro.
A estratégia vai além da indústria de leite
Outro elemento diferencia a estrutura descrita na fonte: a presença da CCGL na logística portuária.
Por meio dos terminais Termasa e Tergrasa, em Rio Grande, a cooperativa atua também na movimentação de grãos e farelos. A infraestrutura funciona como uma atividade complementar ao negócio lácteo e amplia o alcance da estratégia de diversificação de ativos.
A operação portuária inclui recepção, armazenagem e embarque de cargas. A modernização dos shiploaders e a ampliação da moega ferroviária são apresentadas como medidas voltadas à produtividade no carregamento de navios Panamax e Cape.
Assim, a mesma estrutura corporativa reúne uma planta de processamento de lácteos em Cruz Alta e terminais portuários em Rio Grande.
Quatro frentes sustentam a mudança
A transformação descrita no modelo da CCGL pode ser organizada em quatro frentes: industrialização, governança, rastreabilidade e diversificação.
A primeira concentra-se no processamento de derivados e ingredientes lácteos. A segunda busca substituir decisões baseadas em modelos empíricos por métricas de desempenho financeiro e industrial, com comitês técnicos voltados a auditoria, riscos e gestão financeira.
A terceira utiliza ferramentas digitais para acompanhar a cadeia de suprimentos. A quarta amplia a atuação para ativos logísticos fora do negócio estritamente lácteo.
O resultado pretendido é uma estrutura menos dependente de uma única fonte de receita e com maior capacidade de integrar diferentes pontos da cadeia produtiva.
Tecnologia como elo entre campo, fábrica e mercado
Mais do que uma modernização isolada de equipamentos, o modelo apresentado pela fonte combina tecnologia em diferentes pontos da operação.
No campo, o Smartcoop reúne informações para gestão das propriedades. Na pesquisa, os dados e estudos orientam decisões relacionadas à produção. Na indústria, a automação é utilizada no processamento realizado na unidade de Cruz Alta. Na logística, os terminais de Rio Grande conectam a produção ao escoamento.
Essa conexão é o principal elemento da estratégia: os investimentos não aparecem como iniciativas independentes, mas como partes de uma mesma estrutura operacional.
Para a cadeia láctea, o movimento coloca em evidência uma mudança de foco: além de produzir e processar leite, a cooperativa busca controlar mais etapas capazes de influenciar custos, eficiência e geração de valor.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Brasil Inovador






