A saúde intestinal está entrando em uma nova etapa no mercado de alimentos e bebidas.
O interesse dos consumidores continua crescendo, mas agora a demanda vai além dos probióticos tradicionais e abre espaço para produtos que combinam diferentes ingredientes, formatos e ocasiões de consumo voltados ao conforto digestivo.
Segundo a pesquisa Food & Health Survey 2025, do IFIC, 37% dos norte-americanos procuram benefícios para a saúde digestiva por meio da alimentação, um avanço de 7 pontos percentuais em relação a 2022. No mesmo período, as buscas pelo termo “gut health” no Google mais do que dobraram, acompanhando a expansão do mercado global de produtos para saúde digestiva, estimado em US$ 60,4 bilhões em 2025 e com projeção de alcançar US$ 124,9 bilhões até 2034, segundo a Precedence Research.
Apesar desse crescimento, ainda existe dificuldade entre os consumidores para identificar as diferenças entre os ingredientes voltados à saúde digestiva, compreender seus benefícios específicos e saber em quais produtos eles estão presentes.
Essa mudança de comportamento foi um dos temas apresentados durante o Summer Fancy Food Show, em Nova York, onde diferentes empresas mostraram como estão ampliando o conceito de saúde intestinal.
Em vez de apostar apenas nos probióticos conhecidos, a Trimona Foods combina culturas tradicionais do iogurte búlgaro com leite A2. Segundo o fundador Atanas Valev, o processo de fermentação dura 30 horas, produzindo um iogurte com pH entre 3,7 e 3,8, inferior ao observado em muitos produtos convencionais, normalmente acima de 4,2.
Além das culturas utilizadas, a empresa destaca o uso exclusivo de leite contendo apenas a proteína beta-caseína do tipo A2. De acordo com Valev, pessoas que apresentam desconforto, gases ou sensação de inchaço após consumir leite com proteínas A1 podem perceber uma digestão mais confortável com produtos elaborados apenas com proteína A2.
Outra estratégia apresentada veio da Chikka Chikka, que buscou inspiração em um hábito tradicional do sul da Ásia: consumir sementes de erva-doce após as refeições. Em vez de comercializar apenas as sementes, a empresa criou pequenos snacks com sabores de cardamomo, hortelã e canela, desenvolvidos para facilitar o consumo ao longo do dia.
Segundo a cofundadora Sabeen Hasan, o formato portátil permite que o produto seja levado na bolsa, no carro ou no escritório, além de dispensar refrigeração, característica que amplia as possibilidades de consumo quando comparado a outros alimentos voltados à digestão.
A fermentação também aparece como protagonista em outra proposta. A Small Town Cultures aposta em versões individuais de kimchi, buscando tornar alimentos fermentados mais acessíveis para consumidores que ainda não têm familiaridade com esse tipo de produto.
A fundadora Cori Deans explica que as embalagens menores pretendem reduzir a barreira de entrada para novos consumidores, oferecendo uma alternativa prática para refeições do dia a dia. Segundo ela, as receitas foram desenvolvidas com perfil de sabor mais fresco e menos intenso, aproximando o produto de consumidores que já apreciam alimentos em conserva.
Embora a empresa não destaque benefícios à saúde nas embalagens, Deans afirma que prefere apresentar os alimentos fermentados como produtos capazes de melhorar a experiência das refeições e proporcionar sensação de bem-estar, deixando explicações mais detalhadas para conversas diretas com os consumidores.
As iniciativas apresentadas mostram que o mercado de saúde intestinal passa por uma diversificação importante. Em vez de concentrar a inovação em um único ingrediente ou categoria, empresas exploram culturas lácteas, alimentos fermentados e ingredientes botânicos tradicionais para atender consumidores que procuram benefícios digestivos mais específicos e produtos que se adaptem com facilidade à rotina.
Ao mesmo tempo, o crescimento da categoria aumenta um desafio comum para as marcas: comunicar com clareza como cada produto funciona, para quem é indicado e quais características o diferenciam em um mercado cada vez mais amplo.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter






