O queijo coalho atravessou o Atlântico — e parece que decidiu ficar. Entre saudade, curiosidade e paladar, o produto típico do Nordeste brasileiro encontrou espaço em Portugal e começa a conquistar consumidores de diferentes países europeus.
Produzido artesanalmente nos arredores de Braga, o queijo coalho se transformou em um negócio estruturado que atende não apenas brasileiros que vivem fora do país, mas também europeus em busca de novas experiências gastronômicas. A proposta é simples: manter a autenticidade do sabor nordestino, mesmo longe de sua origem.
Por trás da iniciativa está a pernambucana Maria Maia, que deixou Recife após uma longa trajetória na área de recursos humanos para recomeçar em outro país. A mudança foi motivada por uma decisão pessoal de buscar mais qualidade de vida. O que começou como adaptação acabou se transformando em empreendimento.
A virada veio de forma inesperada. Ao tentar reproduzir o queijo coalho em casa, Maria despertou o interesse de amigos e vizinhos. A demanda espontânea revelou uma oportunidade clara. Em menos de um ano, surgia a empresa, ainda pequena, mas com um diferencial competitivo evidente: produto artesanal, feito com técnica e sem aditivos industriais.
A base desse processo não veio do acaso. A empreendedora já tinha contato com a produção de laticínios no interior de Pernambuco, especialmente na região de Bezerros, onde familiares atuam no setor. Esse conhecimento empírico foi decisivo para estruturar a produção em Portugal.
O avanço do negócio trouxe desafios típicos do mercado europeu, especialmente no acesso à matéria-prima. A produção de leite em Portugal é concentrada em grandes empresas, o que limita a atuação de pequenos produtores. A solução foi firmar parceria direta com uma vacaria local, garantindo leite fresco e controle de qualidade desde a origem.
Com o crescimento da demanda, o portfólio foi ampliado. Hoje, além do queijo coalho, a empresa produz itens como queijo Minas frescal, requeijão, catupiry, massa de pastel, pão de queijo e pão de alho. A produção varia conforme a estação, podendo chegar a 900 quilos semanais no verão.
A estratégia comercial combina diferentes canais: fornecimento para mercados especializados, restaurantes, venda direta ao consumidor e presença constante em feiras gastronômicas. Entre maio e setembro, os eventos de rua se tornam um dos principais pontos de contato com o público.
O alcance já ultrapassa Portugal. A empresa atende também França, Suíça, Dinamarca, Alemanha e Itália, consolidando um modelo baseado em distribuição e relacionamento direto com clientes.
Inicialmente voltado para brasileiros, o queijo coalho passou a atrair europeus. Alguns conhecem o produto pela cultura brasileira; outros, pela experiência direta em viagens. Em eventos, a curiosidade muitas vezes vira consumo imediato — e repetido.
Mesmo com a expansão, a decisão estratégica foi manter a escala controlada. O foco permanece na qualidade, no preço acessível e na fidelização do cliente, evitando a entrada em grandes redes e preservando o caráter artesanal do produto.
Entre produção, eventos e gestão, o ritmo segue intenso. Mas o equilíbrio buscado no início da mudança parece ter sido alcançado de outra forma: trabalhando muito — e vivendo mais.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Movimento Econômico






