O que a França descobriu sobre os queijos artesanais do Brasil:
Uma pequena marca de Nobres, em Mato Grosso, levou seus produtos a um dos principais eventos internacionais do setor e agora avalia novos caminhos para a produção artesanal.
A trajetória dos queijos artesanais do Brasil ganhou um capítulo internacional com a participação da marca Pé de Queijo no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, realizado na França em 2025. Para Sandra Braz da Silva Trindade, responsável pelo negócio ao lado do marido, Edmar Trindade, a experiência mostrou que existe espaço para ampliar o reconhecimento da produção brasileira.
A participação ocorreu na 7ª edição do evento, que reuniu representantes de 26 países. Na ocasião, o Brasil recebeu 58 medalhas, em uma demonstração do desempenho alcançado pelos produtores brasileiros presentes na competição.
A história da Pé de Queijo, porém, não começou em uma fábrica estruturada nem em um projeto de expansão internacional. A marca nasceu a partir de uma produção doméstica, quando Sandra preparava queijos frescos para o consumo da família, depois de se mudar de Várzea Grande para a área rural de Nobres.
Os elogios recebidos pelos produtos fizeram a empreendedora enxergar uma possibilidade comercial. Inicialmente, trabalhava com quantidades reduzidas de leite e produzia queijos frescos e doce de leite. O requeijão também fazia parte das experiências, com receitas aprendidas a partir das orientações de uma tia.
A decisão de transformar aquela produção em negócio levou Sandra a buscar cursos, desenvolver novas receitas e estruturar a microempresa com apoio do Sebrae. O nome Pé de Queijo substituiu uma marca anterior que, segundo ela, não havia conseguido se firmar.
Uma produção pequena com reconhecimento internacional
O reconhecimento veio acompanhado de prêmios no Brasil. Em 2024, a marca conquistou a categoria Ouro no 3º Mundial do Queijo do Brasil. O requeijão, hoje considerado o carro-chefe da empresa, é também o produto mais premiado da casa.
A experiência na França ampliou a percepção da empreendedora sobre as possibilidades do setor. Sandra afirma que, em regiões onde as condições climáticas não favorecem determinados tipos de produção, existe a possibilidade de adaptação para elaborar queijos de qualidade.
“A gente pode crescer muito nesse lugar, que é muito vasto”, afirmou a empresária ao comentar a experiência internacional.
O interesse despertado pela produção brasileira também se estendeu à formação profissional. Segundo Sandra, a Mons Formation, conhecida como Maison Mons, avalia a criação de cursos voltados para brasileiros. A informação aparece como uma das possibilidades abertas após o contato com o ambiente internacional de produção de queijos.
O desafio de crescer sem perder a identidade
A Pé de Queijo processa atualmente 100 litros de leite por dia. A meta é chegar a 300 litros diários, mas sem ultrapassar esse volume. Para o casal, preservar o caráter artesanal da produção é parte central da identidade do negócio.
A empresa também trabalha com a diversificação do portfólio. Além dos queijos, produz doces de leite com variações de café e limão e oferece degustações mediante agendamento. Entre as combinações servidas estão burrata com carne-seca, queijos com doces e ceviche de queijo.
A matéria-prima utilizada na fabricação é adquirida de produtores da comunidade local, a preços considerados melhores do que os praticados por laticínios maiores. A empresa também planeja criar as próprias vacas leiteiras, com o objetivo de controlar a procedência do leite utilizado.
A valorização da produção local ganhou espaço com a inauguração da primeira loja da marca, no Distrito Roda D’Água, próximo a Bom Jardim, em Nobres. O empreendimento passou a reunir a comercialização dos produtos e experiências de degustação.
A participação em eventos gastronômicos também ajudou a aproximar a marca do público. Na Feira Gastronômica de Nobres, promovida pelo Sebrae em parceria com a prefeitura, a Pé de Queijo apresentou seus produtos e um espeto de queijo coalho enrolado em bacon, que teve grande procura.
Entre a pequena produção e os eventos internacionais, a trajetória da marca mostra um caminho de valorização dos lácteos artesanais: transformar leite, receitas e trabalho familiar em produtos capazes de representar uma região muito além de suas fronteiras.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Gazeta Digital






