O índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) permaneceu praticamente estável em maio, mas o resultado agregado esconde movimentos importantes dentro das principais commodities agrícolas.
Para a cadeia láctea, o dado mais relevante não está na estabilidade do indicador, mas na combinação entre a valorização dos cereais e o recuo dos produtos lácteos.
O índice alcançou 130,8 pontos em maio, com leve queda de 0,2% em relação ao mês anterior. Na comparação anual, porém, permaneceu 2,9% acima do nível registrado no mesmo período de 2025.
O principal fator de alta veio dos cereais. O segmento avançou 2,6% frente a abril e acumulou crescimento de 4,9% na comparação anual. O movimento foi liderado pelo trigo, que registrou o quarto mês consecutivo de valorização, impulsionado por preocupações com a produção em importantes países exportadores e pelas condições desfavoráveis das lavouras de trigo de inverno nos Estados Unidos.
Além das questões produtivas, o aumento dos custos relacionados a combustíveis e fertilizantes também contribuiu para sustentar as cotações internacionais.
O milho seguiu trajetória semelhante. A forte demanda internacional e uma oferta mais ajustada em importantes participantes do comércio global deram suporte aos preços. O mercado também recebeu influência da valorização da energia, que fortaleceu a demanda por etanol de milho e ampliou a competitividade do cereal no segmento de biocombustíveis.
Outros grãos acompanharam esse movimento. Sorgo, cevada e arroz registraram altas ao longo do mês, refletindo tanto restrições de oferta quanto preocupações climáticas em regiões produtoras.
Enquanto isso, os produtos lácteos seguiram direção oposta. O índice do setor recuou 0,5% em maio, encerrando o período em 119,2 pontos. Segundo a FAO, o resultado refletiu ajustes na demanda global e maior disponibilidade de alguns derivados.
A leitura conjunta desses indicadores chama atenção porque mostra que diferentes mercados agrícolas estão reagindo a fatores distintos. De um lado, os cereais continuam encontrando sustentação em questões ligadas à oferta, ao clima e aos custos de produção. De outro, os lácteos enfrentam um ambiente marcado por maior disponibilidade de produtos e ajustes na demanda.
O comportamento dos demais grupos de commodities reforça esse cenário heterogêneo. Os óleos vegetais registraram queda de 4,6%, interrompendo a sequência de altas observada desde o início do ano. Já o açúcar foi o destaque positivo do mês, com avanço de 7,5% e o maior nível desde outubro de 2025, impulsionado por preocupações relacionadas à oferta global e pela influência dos mercados energéticos.
Para os próximos meses, a evolução das condições climáticas, os custos de energia e o desempenho das safras no Hemisfério Norte deverão permanecer entre os principais fatores de influência sobre os preços internacionais dos alimentos. A expectativa é de continuidade da volatilidade, especialmente nos mercados de cereais e açúcar, segmentos que seguem mais sensíveis às mudanças na oferta e na demanda global.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Minuto MT






