Dobrar a produção de leite nos próximos três anos sem aumentar o número de vacas. É essa a meta que orienta hoje as decisões de Dilson Geraldo da Silva, produtor rural de 53 anos à frente da Fazenda São Pedro, na zona rural de Bocaiuva, Norte de Minas Gerais.
A propriedade, com 128 hectares, conquistou recentemente a certificação Fazenda Ouro, concedida pela indústria que compra seu leite a produtores que atendem critérios rigorosos de qualidade, manejo, bem-estar animal e sustentabilidade — e o caminho até essa meta ambiciosa passou por decisões tomadas uma de cada vez, ao longo de mais de 25 anos.
A aposta na genética foi o primeiro grande passo. Dilson assumiu a administração da fazenda em 1999, após a morte do pai, e logo buscou uma parceria com uma indústria de laticínios da região para adquirir um touro da raça holandesa, dando início ao melhoramento genético do rebanho.
Dali em diante, a evolução foi contínua: da compra do touro passou-se à inseminação artificial e, mais recentemente, à fertilização in vitro, com embriões vindos de fazendas mais avançadas em seleção genética. “Agora demos mais um passo e estamos utilizando fertilização in vitro.
Os embriões vêm de fazendas mais avançadas em seleção genética, permitindo melhorar continuamente a qualidade do rebanho e aumentar o potencial produtivo dos animais”, explica o produtor.
Enfrentar a estiagem característica do Norte de Minas exigiu outro tipo de planejamento. Na Fazenda São Pedro, o rebanho é criado em sistema de semiconfinamento: aproveita o pasto no período chuvoso e passa a depender de silagem, cana-de-açúcar e áreas irrigadas quando a chuva falta.
Nos últimos anos, a propriedade implantou quatro hectares irrigados destinados exclusivamente à produção de alimento para os animais. “Não podemos depender apenas do pasto. Se faltar alimento, a produção cai. Por isso investimos na produção de silagem e, mais recentemente, na irrigação. Isso nos dá segurança para continuar produzindo”, afirma Dilson.
A modernização também transformou a rotina de trabalho. A ordenha, antes inteiramente manual, passou pela chegada da ordenhadeira mecânica até a propriedade contar hoje com quatro conjuntos de ordenha, realizados em duas rotinas diárias que resultam em uma produção média de 700 litros de leite, destinados diariamente a Montes Claros.
O resfriamento do produto também mudou: o antigo sistema com reservatórios de água foi substituído por tanques de expansão, que preservam a qualidade do leite até a coleta.
Um detalhe do manejo é tratado pelo produtor como diferencial da propriedade: as vacas não recebem ocitocina nem medicamentos para estimular artificialmente a descida do leite. O processo ocorre de forma natural, com os bezerros presentes durante a ordenha.
“Quando trabalhamos pensando em fazer as coisas da maneira correta, os resultados aparecem. A certificação mostra que estamos produzindo leite de qualidade, mas também aumenta nossa responsabilidade de continuar evoluindo”, diz Dilson.
Por trás de cada etapa de investimento está uma parceria de cerca de 25 anos com o Sicoob Credinor, que financiou desde a irrigação e a formação de lavouras até a aquisição de animais e a modernização da estrutura produtiva. Dilson também participou do programa Norte Empreendedor, criado pelo Sicoob Credinor em conjunto com o Sebrae Minas, que ofereceu consultorias em gestão financeira e planejamento estratégico.
“As consultorias ajudaram a entender melhor os custos, organizar o planejamento e identificar oportunidades de melhoria. Hoje conseguimos tomar decisões com muito mais segurança e pensar o futuro da fazenda de forma estruturada”, avalia o produtor. Karine Kraysller, gerente da agência Sicoob Credinor em Bocaiuva, reforça essa leitura:
“Dilson é um cooperado que entende que crescer exige disciplina, planejamento e disposição para evoluir constantemente. A propriedade incorporou tecnologia, investiu em gestão e aperfeiçoou cada etapa da produção sem perder sua essência.”
Apesar de toda a tecnologia incorporada, Dilson resume sua filosofia de crescimento em uma frase que também explica por que a meta de dobrar a produção não aposta em mais animais, e sim em mais eficiência genética e de manejo: “Cada etapa foi acontecendo no seu tempo. Nunca demos um passo maior do que podíamos. Primeiro melhorávamos uma coisa, depois outra.
Foi assim que a fazenda foi crescendo.” Hoje ele divide a administração com o sócio e afilhado Flávio Silva, conta com quatro colaboradores e tem ao seu lado a esposa Adriana, parceira há 24 anos na construção da propriedade.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Rede Gazeta de Comunicação






