Comprar queijo e encontrar pequenos furos na massa é uma cena comum no dia a dia de quem consome o alimento com frequência.
Mas os furinhos no queijo nem sempre significam a mesma coisa — e identificar a diferença pode ser decisivo para evitar problemas de saúde. É o que explica a professora Renata Dinnies Santos Salem, do Departamento de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Segundo a especialista, existem basicamente três origens para esses furos, e apenas uma delas está associada a risco real para quem consome o produto.
A primeira é a mais conhecida entre os apreciadores de queijos maturados, como Emmental, Gouda e Maasdam. Nesses casos, as olhaduras — nome técnico dado aos furos — surgem naturalmente durante o processo de maturação.
Bactérias propiônicas produzem gás carbônico ao longo da fabricação, e esse gás forma cavidades arredondadas, uniformes e bem distribuídas por toda a massa do queijo. Trata-se de uma característica esperada e sem qualquer relação com contaminação.
A segunda origem é mecânica. Ela ocorre na etapa de enformagem, quando pequenas bolsas de ar ficam presas dentro da massa do queijo. Essas olhaduras mecânicas costumam ser mais achatadas, menos numerosas e distribuídas de forma diferente das olhaduras naturais de maturação. Também nesse caso não há risco à saúde do consumidor.
O problema aparece na terceira situação, mais frequente em queijos frescos e artesanais, principalmente os fabricados com leite cru. De acordo com a professora, quando os furinhos são pequenos, irregulares e lembram rachaduras, o quadro pode indicar contaminação por coliformes fecais — consequência direta de falhas nas condições de higiene durante o processo de produção.
Além da aparência dos furos, outros sinais ajudam a identificar um queijo impróprio para consumo: cheiro alterado, textura excessivamente macia ou parecida com a de uma esponja. Esses indícios podem apontar para o crescimento de microrganismos indesejados na massa do produto.
Um ponto que costuma gerar dúvida é se o cozimento resolve o problema. Segundo a especialista, não necessariamente. Alguns microrganismos resistentes exigem processos de esterilização para serem eliminados, o que significa que apenas aquecer ou cozinhar o queijo pode não ser suficiente para neutralizar a contaminação.
As consequências de consumir um queijo contaminado vão além do desconforto passageiro: a professora cita diarreia, vômitos, dores abdominais e outros problemas gastrointestinais como sintomas possíveis.
Diante desse cenário, a orientação prática para reduzir riscos é verificar se o queijo possui selo de inspeção sanitária, documento que comprova o cumprimento das normas de qualidade e o controle sobre o leite utilizado na fabricação.
Quando o produto apresenta muitos furinhos irregulares, textura muito fofa e odor fora do padrão, a recomendação da especialista é direta: não consumir e descartar o alimento, priorizando sempre produtos de origem inspecionada.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por DOL






