ESPMEXENGBRAIND
3 set 2026
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🥛 O Evento 411 do GDT trouxe um resultado que ninguém esperava para o queijo — e a proteína láctea deu as cartas.
📊 Enquanto a manteiga e a gordura anidra seguraram queda, um produto lácteo teve seu pior preço em cinco anos no GDT.
📊 Enquanto a manteiga e a gordura anidra seguraram queda, um produto lácteo teve seu pior preço em cinco anos no GDT.

O Evento 411 da Global Dairy Trade (GDT), realizado em 1º de setembro de 2026, trouxe um resultado que reforça uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos leilões:

A demanda por proteína láctea segue firme, mesmo diante de uma oferta maior de produto disponível. O Índice de Preços GDT fechou o evento com alta de 0,9%, com preço médio de US$ 3.910 por tonelada métrica (FAS), segundo dados da NZX e da Global Dairy Trade.

Para Cristina Alvarado, Head of Dairy Insights da NZX, parceira institucional do eDairyNews, o resultado do Evento 411 foi resiliente, já que a demanda por leite em pó se manteve firme apesar do maior volume sazonal ofertado. Segundo ela, as gorduras lácteas continuaram amolecendo, mas com quedas mais contidas do que o mercado projetava antes do leilão.

O pó de leite desmagrado ultrapassa o integral

O grande destaque do Evento 411 foi o leite em pó desnatado (LPD), que subiu 5,3%, atingindo preço médio de US$ 3.695 por tonelada.

Com esse resultado, o LPD superou pela primeira vez neste período recente o preço do leite em pó integral (LPI), que se manteve praticamente estável, com leve recuo de 0,1% e preço médio de US$ 3.585 por tonelada — mesmo com uma oferta significativamente maior tanto em relação ao evento anterior quanto na comparação anual.

Para Alvarado, a capacidade do mercado de absorver mais pó disponível sem gerar pressão relevante de queda reforça a força da demanda subjacente por proteína.

Gorduras seguram queda, mas cheddar cai ao menor nível em cinco anos

A gordura anidra de leite (AMF) recuou 1,3%, para US$ 5.917 por tonelada, e a manteiga caiu 0,8%, para US$ 5.028. Segundo a executiva da NZX, ambas as quedas ficaram abaixo do que o mercado de derivativos lácteos SGX-NZX havia precificado antes do leilão, mesmo com a disponibilidade global de creme continuando a pressionar os preços.

Já o queijo cheddar foi o ponto mais fraco do evento: caiu 6,6%, para US$ 3.503 por tonelada, seu menor preço na plataforma GDT em cinco anos. Segundo Alvarado, o resultado reflete uma oferta mais forte de queijo disponível para exportação em várias regiões produtoras importantes.

Os demais produtos negociados no Evento 411 fecharam da seguinte forma:

Produto Variação Preço médio (USD/t, FAS)
Índice GDT +0,9% US$ 3.910
Leite em pó integral (LPI) -0,1% US$ 3.585
Leite em pó desnatado (LPD) +5,3% US$ 3.695
Gordura anidra de leite (AMF) -1,3% US$ 5.917
Manteiga -0,8% US$ 5.028
Leite em pó de soro de manteiga (BMP) +4,6% US$ 4.136
Cheddar -6,6% US$ 3.503
Mussarela +0,3% US$ 4.244
Lactose +2,0% US$ 1.910

Ásia segue como o motor da demanda global

A região Norte da Ásia se manteve como a principal compradora no Evento 411, com forte presença também do Sudeste Asiático e Oceania. Segundo Alvarado, a Ásia liderou as compras em vários dos principais produtos negociados — incluindo LPI, AMF, manteiga e cheddar —, o que confirma a importância contínua da região para a demanda global de lácteos.

Um mercado cada vez mais dividido por categoria

De acordo com a Head of Dairy Insights da NZX, o Evento 411 reforça uma divergência crescente dentro do mercado lácteo global: a demanda por proteína segue sustentando os preços dos pós, mesmo com mais oferta disponível, enquanto as gorduras lácteas permanecem sob pressão e o queijo enfrenta um peso maior de oferta.

Segundo ela, a resiliência da demanda por pó continuará sendo um sinal-chave a acompanhar, à medida que a produção de leite no Hemisfério Norte reage aos efeitos de ondas de calor e secas recentes, enquanto compradores seguem garantindo produto para os próximos meses.

O que isso significa para a cadeia láctea brasileira

Para o produtor e a indústria brasileira, o Evento 411 traz um sinal misto, mas relevante. A firmeza da demanda por leite em pó desnatado — mesmo com oferta maior — indica que o mercado internacional segue disposto a pagar por proteína láctea, o que é uma referência direta para quem exporta ou negocia pó de leite no Brasil.

Já a forte queda do cheddar, ao menor patamar em cinco anos, é um alerta para quem compete em queijos no mercado externo: a maior disponibilidade de queijo de outras regiões produtoras pode seguir pressionando preços nos próximos eventos.

Com a Ásia concentrando a demanda e o Hemisfério Norte lidando com clima adverso na produção, o cenário reforça a importância de o Brasil acompanhar de perto os próximos leilões do GDT para calibrar decisões de exportação e precificação nos meses que vêm.

🥛 O Evento 411 do GDT trouxe um resultado que ninguém esperava para o queijo — e a proteína láctea deu as cartas.
🥛 O Evento 411 do GDT trouxe um resultado que ninguém esperava para o queijo — e a proteína láctea deu as cartas.

 

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