Uma geada pode acabar com uma lavoura inteira em uma única noite. Foi o que aconteceu em 1978, quando o chamado “geada negra” atingiu o Estado de São Paulo e obrigou a família de William Labaki a tomar uma decisão radical:
Erradicar 150 mil pés de café da Fazenda Limoeiro, em Itu (SP), e recomeçar do zero com outra atividade. A escolha foi a pecuária leiteira — e mais especificamente, a raça Jersey.
A fazenda havia sido adquirida em 1971 pelo advogado Aldo Raia, pai de Labaki, ainda como propriedade cafeeira. Sete anos depois, com a lavoura destruída pelo frio, a família importou as primeiras matrizes e um touro Puros de Origem diretamente da Ilha de Jersey, no Canal da Mancha, Reino Unido — o berço da raça que hoje sustenta todo o negócio.
Leite Jersey, o fio condutor de uma história
Passadas quase cinco décadas, esse gado deu origem a um modelo de negócio verticalizado que começa na genética do rebanho e termina na mesa do consumidor. É a Goldy Alimentos Premium, empresa que em 2026 completa 25 anos de atuação transformando o leite Jersey produzido na Fazenda Limoeiro em ricota, queijo minas frescal, doce de leite e fondant.
O diferencial, segundo Labaki, está na matéria-prima. O leite Jersey é considerado o mais rico em componentes sólidos — gordura, proteínas e minerais — entre todas as raças bovinas leiteiras, o que se traduz em maior cremosidade e sabor lácteo mais marcante nos derivados da linha “Jersey de Itu”.
O reconhecimento veio em forma de premiação: nos Mundiais do Queijo Brasil de 2024 e 2026, os produtos da Goldy receberam medalhas SuperOuro, Ouro e Prata.
Por trás desse resultado está o criatório “Jerseyland”, afixo de registro que a família mantém há 48 anos e que recorre à melhor genética disponível em quatro países — Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália — além da própria Ilha de Jersey, de onde a fazenda ainda hoje dispõe de sêmen congelado de touros de origem.
Sustentabilidade como parte do manejo
A produção de volumosos de qualidade, como silagem de milho e feno, é a base da alimentação do rebanho. Mas o manejo da Fazenda Limoeiro também inclui uma dimensão ambiental: há dez anos, a propriedade implementou o plantio de 18 mil mudas nativas da Mata Atlântica, dentro do “Projeto Nascentes”, do Governo do Estado de São Paulo — iniciativa que, segundo Labaki, teve impacto positivo sobre a fauna e a flora locais.
A seguir, a entrevista completa concedida por William Labaki:
A Goldy nasceu de uma trajetória familiar ligada ao campo. Como a experiência de produtor rural influenciou suas decisões como empresário e ajudou a construir o modelo de negócio “do campo à mesa”?
Sim, desde 1971, quando meu pai, o advogado Aldo Raia, adquiriu a Fazenda Limoeiro, em Itu, então com a exploração de cafeicultura, passei a me dedicar à atividade agrícola. Em 1978, com a grande geada “negra” no Estado de São Paulo, optamos por erradicar 150 mil pés de café e iniciamos a criação de vacas leiteiras com a importação da Ilha de Jersey, Canal da Mancha, Reino Unido, das primeiras matrizes e um touro Puros de Origem.
A verticalização da produção, com a transformação da matéria-prima das fazendas em produtos de maior valor agregado, é um dos diferenciais da Goldy Alimentos. E a gente nota no sabor e na qualidade dos produtos. Quais foram os principais desafios e aprendizados desse processo?
Longo caminho percorrido e com muito aprendizado, desde 2001 — a Goldy está completando 25 anos — sempre agregando valor à matéria-prima nobre que a “Pequena Notável” produz: puro leite Jersey, considerado o mais rico em componentes sólidos (gordura, proteínas e minerais), entre todas as raças bovinas leiteiras. Desde o início, este é o diferencial dos produtos “Jersey de Itu”, que nos Mundiais do Queijo Brasil 2024 e 2026 receberam expressivas premiações: SuperOuro, Ouro e Prata. Isto se deve, basicamente, à marcante cremosidade e suave sabor lácteo dos derivados.
A seleção genética do rebanho é parte importante da história da Fazenda Limoeiro. Na sua visão, quanto a genética e a qualidade do manejo podem determinar a competitividade e o valor agregado de um produto agropecuário?
Como se diz: “metade da raça entra pela boca”! Mas, sem dúvida, o manejo eficiente deve ser acompanhado do aprimoramento genético, com vistas para o melhoramento zootécnico. Nosso criatório de afixo de registro “Jerseyland” sempre, há 48 anos, se utiliza da melhor genética disponível dos países onde a raça é selecionada: Canadá, EUA, Nova Zelândia, Austrália e da própria Ilha de Jersey, que, até hoje, dispomos de sêmen congelado de touros daquela origem.
O agronegócio brasileiro vive um movimento crescente de profissionalização e busca por sustentabilidade e rastreabilidade. Quais práticas adotadas nas fazendas e na Goldy Alimentos você considera fundamentais para o agro do futuro?
Agricultura com boa técnica para produção de volumosos de boa qualidade, basicamente, silagem de milho e feno. Manejo sustentável com foco em preservação ambiental: além da mata nativa existente, implementamos, há 10 anos, o plantio de 18 mil mudas de nativas da Mata Atlântica, dentro do “Projeto Nascentes”, do Governo do Estado de São Paulo, com impacto muito positivo na fauna e flora da fazenda e entorno.
Olhando para os próximos anos, qual é o maior desafio para quem produz no campo?
Equilibrar custos de produção com aumento de produtividade na agricultura e pecuária, e intensificar vendas com diversificação da linha de produtos, através de um plano de marketing bem elaborado e executado.
E, para encerrar, o que o campo, a raça Jersey e a Goldy representam para o senhor em uma palavra?
Paixão de toda uma vida!
Ver esta publicación en Instagram
Una publicación compartida por Lácteos Premium: Queijos, Manteiga e Doces (@goldyalimentos)
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Noticias R7






