A remissão de leite no Uruguai voltou a acelerar em abril e consolidou um cenário que passa a ser observado com atenção pelo setor lácteo regional.
O país registrou crescimento de 9,7% em relação ao mesmo mês de 2025, alcançando 164,7 milhões de litros enviados às indústrias, no maior volume já registrado para um mês de abril.
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (INALE) confirmam o nono avanço interanual consecutivo da cadeia uruguaia, prolongando uma sequência positiva iniciada em agosto do ano passado. O movimento reforça a posição do Uruguai como uma plataforma exportadora de leite baseada em produção pastoril, tecnificação e eficiência industrial.
Para a indústria, o avanço não se limita ao aumento do volume captado. O crescimento dos sólidos úteis ao longo do ciclo produtivo aparece como um dos principais sinais estratégicos do atual momento da cadeia uruguaia. O próprio relatório destaca a evolução anualizada de gordura e proteína como fator central para o desempenho industrial, especialmente em plantas voltadas à secagem e à fabricação de queijos.
Em abril, a composição da matéria-prima apresentou comportamento distinto entre os principais componentes. O teor de gordura subiu para 4,20%, acima dos 4,16% registrados no mesmo período do ano anterior. Já a proteína recuou levemente de 3,70% para 3,63%. Ainda assim, o balanço geral dos sólidos úteis permaneceu positivo devido ao salto de eficiência registrado ao longo do último ciclo produtivo.
A trajetória recente da produção uruguaia também ajuda a explicar o peso desse crescimento. Após a retração de 3,5% em 2024, provocada pela crise hídrica, a recuperação dos rebanhos e a melhora das pastagens impulsionaram a atividade. Em 2025, o país atingiu 2,212 bilhões de litros, o maior volume anual do século, com alta de 8,4%. O ritmo permaneceu firme no primeiro quadrimestre de 2026.
O histórico da última década mostra uma cadeia marcada por ciclos de ajuste, estabilidade e recuperação. Depois de uma forte queda em 2016, o setor voltou a crescer nos anos seguintes, atravessou um período de estabilidade entre 2020 e 2023 e enfrentou os impactos climáticos antes da atual fase de expansão.
O aspecto mais relevante do atual ciclo talvez esteja na mudança estrutural sugerida pelos próprios indicadores do INALE. O relatório aponta que a cadeia leiteira uruguaia conseguiu reduzir parte de sua vulnerabilidade às oscilações ambientais severas por meio de maior tecnificação, suplementação de precisão e gestão do conforto animal nos períodos de pico produtivo.
Para o mercado regional, o avanço uruguaio amplia a concorrência em um momento em que eficiência industrial, composição da matéria-prima e capacidade exportadora ganham peso crescente na formação das estratégias da cadeia láctea sul-americana.
*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairyNews Es






