ESPMEXENGBRAIND
2 set 2026
ESPMEXENGBRAIND
2 set 2026
📊 Nem sempre alterar a alimentação significa colocar mais ingredientes no cocho. Em alguns casos, o ajuste pode estar justamente no sentido contrário.
leite
💰 Uma análise mais precisa da alimentação pode ajudar o produtor a identificar desperdícios e encontrar combinações mais eficientes para sua realidade.

Uma dieta para vacas leiteiras pode estar tecnicamente bem formulada e, ainda assim, não chegar ao rebanho exatamente como foi planejada.

Entre os ingredientes calculados e aquilo que efetivamente está disponível no cocho existem etapas capazes de alterar a composição da alimentação — e, consequentemente, o aproveitamento pelos animais.

É justamente nessa diferença entre dieta planejada e dieta efetivamente fornecida que o monitoramento nutricional ganha importância. A avaliação realizada nas propriedades acompanhadas pelo Departamento Veterinário da Cocari (Devet) considera o processo desde a preparação da alimentação até a resposta digestiva das vacas.

O primeiro ponto observado é a própria mistura.

Em propriedades que trabalham com dieta total, silagem, ração, farelos e outros ingredientes são colocados no vagão misturador antes de serem distribuídos ao longo da linha de alimentação. O problema é que uma mistura que não mantenha suas características durante a distribuição pode fazer com que diferentes animais tenham acesso a proporções distintas dos componentes da dieta.

Para verificar essa uniformidade, são coletadas amostras em três momentos do percurso: início, meio e final do cocho. A comparação permite identificar diferenças na composição e na estrutura física da alimentação oferecida.

A questão é prática: se a dieta foi calculada para determinada proporção de fibra, concentrado, silagem e outros componentes, é preciso verificar se essa mesma composição chega de maneira semelhante aos diferentes pontos da linha de alimentação.

O que está no cocho precisa corresponder ao que foi formulado

A avaliação não se limita à aparência da mistura. Parte das amostras coletadas é encaminhada ao laboratório para análise bromatológica, depois de serem reunidas, homogeneizadas e reduzidas até chegar a uma quantidade representativa.

Nesse processo são avaliados componentes como proteína, amido e características da fibra. Os resultados são então comparados com os parâmetros considerados na formulação original.

Essa etapa responde a uma pergunta fundamental para o manejo: os nutrientes previstos no planejamento estão realmente presentes na alimentação que as vacas recebem?

Quando os resultados apontam diferenças, a formulação pode ser mantida ou modificada. O ajuste pode significar aumentar, reduzir ou substituir ingredientes, conforme as necessidades dos animais e as condições encontradas em cada propriedade.

E há um ponto importante nessa tomada de decisão: mais ingrediente não significa necessariamente melhor resultado.

Segundo o especialista em Nutrição Animal da Cocari, Mateus Elias Santinon Bertoti, dependendo da situação, reduzir determinado componente pode produzir um resultado melhor do que simplesmente acrescentar outro. A busca, portanto, é por uma combinação que concilie nutrição, produção, desempenho e eficiência.

O que sobra também conta

Existe ainda uma terceira etapa do acompanhamento: aquilo que acontece depois que a alimentação é consumida.

A análise das fezes ajuda a observar como os alimentos estão sendo aproveitados. A presença de partículas de milho, fibras ou outros componentes pode fornecer sinais relacionados ao processamento dos ingredientes, à composição da dieta ou à digestibilidade.

Com isso, o monitoramento conecta três momentos diferentes do processo: o que foi formulado, o que efetivamente foi oferecido e como o animal está aproveitando essa alimentação.

Essa sequência muda a forma de olhar para a nutrição do rebanho. Em vez de avaliar apenas a lista de ingredientes ou as quantidades previstas no planejamento, o acompanhamento permite observar o percurso completo da dieta dentro da propriedade.

Para o produtor, o ganho potencial está justamente nessa visão mais ampla. Uma mistura mais uniforme, uma composição nutricional compatível com a formulação e um melhor aproveitamento dos alimentos podem contribuir para reduzir desperdícios e aumentar a eficiência da produção de leite.

Como cada propriedade possui alimentos disponíveis, custos, estrutura e objetivos próprios, os ajustes precisam considerar a realidade de cada sistema.

No fim, o monitoramento transforma a alimentação em uma questão de precisão: não basta formular a dieta certa; é preciso saber se ela está chegando ao animal da maneira prevista e o que o rebanho está fazendo com aquilo que recebe.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal do Agronegócio

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta