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31 maio 2026
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O crescimento do cottage revela uma tendência maior: transformar produtos premium em hábitos de consumo cotidiano.
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Entre proteína, praticidade e qualidade, a Wapi tenta resolver um desafio raro: ganhar escala sem perder valor.

O queijo cottage está ajudando a revelar uma das grandes paradoxas do mercado de alimentos atual: como transformar um produto premium em um item de consumo diário sem perder aquilo que o tornou especial.

Essa é a aposta da Wapi, fabricante argentina de queijos especiais que encontrou no queijo cottage um novo motor de crescimento. Tradicionalmente associada a produtos gourmet consumidos em ocasiões específicas, a empresa agora busca ocupar espaço na rotina dos consumidores, impulsionada pela demanda por alimentos ricos em proteína e alinhados a hábitos de bem-estar.

A trajetória da companhia mostra como essa transformação foi construída. Nos anos 1990, a família García Belmonte exportava queijos de leite de cabra para os Estados Unidos, chegando a competir com produtores franceses nas prateleiras americanas. Mudanças regulatórias e o enfraquecimento do negócio exportador obrigaram a empresa a reinventar seu modelo.

A resposta veio primeiro com a ampliação da produção de queijos de leite de vaca. O lançamento de variedades como Brie e Camembert no mercado argentino ampliou rapidamente os volumes e abriu uma nova etapa de crescimento. Hoje, a Wapi opera três plantas industriais localizadas em San Juan, Lincoln e Villa María, possui mais de 40 produtos no portfólio e registra faturamento mensal próximo de AR$ 1 bilhão.

Mas foi o queijo cottage que mudou a escala da conversa.

Com perfil nutricional valorizado por consumidores que buscam proteína, praticidade e menor teor de gordura, o produto passou a ocupar momentos de consumo muito mais frequentes do que os tradicionalmente associados aos queijos especiais. Segundo a empresa, a procura superou as expectativas poucas semanas após o relançamento, exigindo expansão da capacidade produtiva.

Por trás desse crescimento existe um desafio que interessa a toda a indústria láctea. Historicamente, produtos premium cresceram apoiados na exclusividade. Quando entram em mercados maiores, muitas vezes precisam simplificar receitas, aumentar a vida útil ou adaptar processos para ganhar eficiência. A Wapi tenta seguir outro caminho: crescer preservando características artesanais e evitando o uso de conservantes para prolongar a validade.

Essa busca por um “premium de massa” acompanha mudanças mais amplas no comportamento do consumidor. Categorias antes restritas a nichos gourmet passam a disputar espaço nas refeições do dia a dia, impulsionadas por atributos funcionais e pela procura por alimentos percebidos como mais naturais.

A profissionalização da gestão também fez parte da estratégia. Há cerca de cinco anos, os irmãos Fernando e Sebastián García Belmonte incorporaram executivos externos para liderar áreas-chave da empresa, permitindo que a família concentrasse esforços em inovação, expansão e desenvolvimento de mercado.

Enquanto investe em novas linhas de cottage e amplia sua presença nas gôndolas, a Wapi parece ter identificado uma oportunidade que vai além de um único produto. O desafio agora não é apenas produzir um queijo diferenciado. É fazer com que ele faça parte da rotina de milhares de consumidores sem deixar de ser reconhecido como especial.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Forbes Argentina

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