O mercado de proteína do soro nos Estados Unidos atravessa uma transformação que poucos imaginavam há alguns anos.
O que antes era considerado um subproduto de baixo valor da fabricação de queijo passou a ocupar o centro da disputa entre fabricantes de alimentos, suplementos e ingredientes, em um cenário marcado por oferta limitada e demanda crescente.
Os números ilustram a dimensão da mudança. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em 25 de junho, os estoques de proteína do soro recuaram cerca de 50% desde 2023, enquanto o preço do isolado atingiu US$ 14 por libra, o maior nível já registrado. A pressão é tão intensa que alguns fornecedores já comercializaram sua produção para o segundo semestre de 2026.
O movimento ganhou até um nome entre os consumidores americanos: “protein-maxxing”. A tendência reflete uma mudança consistente nos hábitos alimentares, impulsionada principalmente pelo aumento do uso de medicamentos GLP-1 para perda de peso. Com a ampliação da cobertura desses tratamentos pelo Medicare, cresce também a necessidade de maior ingestão de proteína para evitar perda de massa muscular, elevando ainda mais a procura pelo ingrediente.
O problema é que a indústria não consegue responder na mesma velocidade.
Grande parte da infraestrutura de processamento da proteína do soro foi construída quando esse material possuía baixo valor agregado. As plantas industriais foram dimensionadas para acompanhar uma demanda relativamente estável ligada à produção de queijo, e não o atual crescimento do mercado de proteína isolada.
Expandir essa capacidade exige investimentos bilionários e projetos com prazo estimado entre três e cinco anos, um horizonte considerado longo para um mercado sujeito a oscilações de demanda e preços.
Com isso, a oferta permanece restrita justamente quando a procura acelera.
O impacto já aparece em toda a cadeia. O concentrado de proteína do soro (WPC) e o isolado (WPI) registraram forte valorização, elevando os custos para fabricantes de suplementos, barras proteicas e alimentos funcionais, que passam a operar com margens mais pressionadas.
Ao mesmo tempo, a competição internacional reduz ainda mais a disponibilidade do ingrediente. O aumento das importações de proteína do soro por parte da China e de outros mercados asiáticos diminui o volume destinado ao mercado americano, ampliando a disputa pelo produto.
As perspectivas também apontam para continuidade desse cenário. Analistas do setor projetam que a demanda por proteína do soro seguirá crescendo em taxas anuais de dois dígitos, acima da velocidade com que novas unidades industriais poderão entrar em operação.
Enquanto essa expansão não acontece, a escassez tende a permanecer, sustentando preços elevados e levando parte das empresas a avaliar alternativas como proteínas vegetais ou de ovo. Ainda assim, a preferência do consumidor americano pela proteína de origem animal e as características funcionais da proteína do soro dificultam uma substituição em grande escala.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Space Money






