ESPMEXENGBRAIND
3 jul 2026
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📊 O Dairy Plan da Nestlé amplia a divulgação de indicadores climáticos, mas a falta de detalhes sobre os resultados mantém dúvidas sobre sua execução.
🌱 Ao colocar o leite no centro de sua estratégia climática, a Nestlé aposta em mais transparência, enquanto investidores cobram evidências concretas.
🌱 Ao colocar o leite no centro de sua estratégia climática, a Nestlé aposta em mais transparência, enquanto investidores cobram evidências concretas.

A Nestlé Dairy Plan tornou-se uma peça importante da estratégia da empresa para fortalecer sua posição diante das crescentes exigências de investidores e do mercado por maior transparência climática.

Ao divulgar, pela primeira vez, indicadores específicos sobre as emissões da cadeia leiteira, a companhia sinaliza que pretende transformar prestação de contas em um ativo estratégico. O desafio, entretanto, passa a ser demonstrar com precisão como esses resultados foram alcançados.

O movimento ocorre em um momento em que a empresa busca acelerar o crescimento orgânico por meio de investimentos em plataformas consideradas estratégicas, ao mesmo tempo em que revisa gastos com marketing, arquitetura de embalagens e promove ajustes operacionais em diferentes áreas.

Nesse contexto, a agenda climática ganhou novo peso após a saída da Nestlé, em outubro de 2025, da Dairy Methane Action Alliance (DMAA), iniciativa voltada à medição, divulgação e redução das emissões de gases de efeito estufa na cadeia do leite. A decisão despertou questionamentos de investidores.

A gestora britânica Railpen, por exemplo, informou ter vendido sua participação na empresa após considerar que a saída da aliança levantou novas dúvidas sobre a robustez da estratégia climática da companhia.

É justamente nesse cenário que o Dairy Plan procura demonstrar compromisso com maior transparência, apoio ao fornecimento sustentável e investimentos em produtores e práticas nas propriedades rurais.

Entre os principais indicadores apresentados, a Nestlé informa redução líquida de 26% nas emissões de gases de efeito estufa da cadeia leiteira em comparação com 2018. As emissões de metano caíram 25%, enquanto o volume total passou de 23,36 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2018 para 17,39 milhões em 2025.

A divulgação representa um marco para a empresa ao separar, pela primeira vez, dados específicos da cadeia leiteira, justamente aquela apontada como sua maior fonte de emissões agrícolas.

A estratégia escolhida privilegia a transparência dos números. No entanto, o relatório oferece poucas informações capazes de explicar quanto cada iniciativa contribuiu para esse resultado.

Um dos pontos destacados é que a redução líquida reúne tanto cortes efetivos de emissões nas fazendas quanto remoções de carbono realizadas dentro das cadeias de fornecimento. Essa combinação dificulta identificar qual parcela da redução ocorreu diretamente na origem das emissões.

O documento também reúne, em um único indicador, resultados provenientes do leite fresco e dos derivados lácteos, sem separar o desempenho de cada categoria. Essa ausência de detalhamento reduz a capacidade de avaliar onde a empresa possui maior influência direta sobre sua cadeia de suprimentos.

Outro aspecto da estratégia é o uso de estudos de caso para ilustrar as iniciativas desenvolvidas em diferentes países.

Na Índia, a companhia informa ter treinado mais de 18 mil produtores nos estados de Punjab e Haryana em áreas como alimentação animal, saúde, manejo de dejetos e melhoramento genético.

Na África do Sul, relata ganhos de produtividade, redução de custos e melhoria das margens por meio da agricultura de precisão.

No Brasil, o programa Nature por NINHO apresenta um dado quantitativo: produtores classificados na categoria ouro alcançaram aumento de 34% na eficiência alimentar até o final de 2023. O relatório, porém, não apresenta resultados equivalentes para os produtores das categorias bronze e prata.

Na Indonésia, a empresa informa trabalhar com mais de 13 mil produtores para melhorar qualidade e produtividade do leite, mas utiliza como exemplo apenas uma propriedade familiar.

Na Espanha, a Nestlé afirma que uma análise envolvendo 194 fazendas apontou aumento de 11% na produtividade um ano após os investimentos realizados. Nas propriedades que receberam investimentos em bem-estar animal, o crescimento da produção leiteira chegou a 16%. Ainda assim, o relatório não estabelece uma relação direta entre essas melhorias e a redução global das emissões.

Outro eixo estratégico é a agricultura regenerativa. Segundo a empresa, 34% do leite adquirido em 2025 veio de produtores classificados como adotantes dessas práticas. Apesar disso, o documento não diferencia os diferentes níveis de adoção nem apresenta indicadores capazes de medir os resultados obtidos por essas iniciativas ao longo do tempo.

A estratégia construída pela Nestlé demonstra que a divulgação de dados específicos da cadeia leiteira passa a ocupar posição central na relação com investidores e demais públicos interessados em sustentabilidade.

O próximo passo, porém, será transformar indicadores agregados e histórias individuais em evidências consolidadas que permitam compreender quais decisões realmente estão produzindo impacto mensurável na cadeia do leite.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter

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