ESPMEXENGBRAIND
9 jul 2026
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🥛 A produção mundial de leite deve desacelerar em 2026, alterando o ambiente para preços, comércio e planejamento do setor brasileiro.
Rabobank
📊 Após um ano de forte expansão, o mercado global de leite entra em transição e muda os sinais para produtores e indústria.

A produção mundial de leite deve entrar em uma nova etapa em 2026, segundo o relatório trimestral do Rabobank.

Depois da forte expansão registrada em 2025, a expectativa é de um crescimento muito mais moderado, indicando uma fase de reequilíbrio entre oferta e demanda que poderá influenciar o ambiente de negócios também para o setor brasileiro.

O relatório mostra que os principais países produtores deixam para trás um ciclo de expansão acelerada. Os chamados “Sete Grandes” — União Europeia, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, Argentina e Uruguai — deverão registrar crescimento conjunto próximo de 1% em 2026, bem abaixo dos 3,1% observados no ano anterior. A projeção indica avanço da produção no primeiro semestre, estabilização no terceiro trimestre e contração no último trimestre do ano.

Essa mudança ocorre em um contexto de rentabilidade mais apertada. O Rabobank destaca que os produtores enfrentam redução das margens devido à queda dos preços do leite combinada ao aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, o comportamento dos mercados de derivados é desigual: enquanto os produtos proteicos seguem sustentados, manteiga e queijo continuam pressionados pelo excesso de oferta.

Do lado da demanda, o cenário permanece frágil. A inflação, as incertezas geopolíticas e o risco de ocorrência do fenômeno El Niño aparecem entre os fatores que continuam limitando uma recuperação mais consistente do consumo mundial.

Entre os grandes produtores, os movimentos são bastante distintos. Na União Europeia e no Reino Unido, a produção permanece elevada, mas perde intensidade após um longo período de expansão apoiado pelo ganho de produtividade. O crescimento previsto para o segundo trimestre é de apenas 0,2%, seguido por retrações próximas de 1% na segunda metade de 2026. A redução de aproximadamente 17% nos preços do leite desde setembro, somada ao aumento dos custos de energia e fertilizantes, reduziu as margens e direcionou maior volume para leite em pó desnatado e manteiga, ampliando a pressão sobre esses mercados.

Nos Estados Unidos, o cenário é diferente. O Rabobank projeta crescimento próximo de 2% na produção em 2026, sustentado por um rebanho recorde de 9,7 milhões de vacas e por ganhos de produtividade. Custos menores com alimentação e receitas adicionais provenientes da criação de bovinos destinados ao consumo ajudam a preservar as margens.

Na Oceania, a Nova Zelândia encerra uma temporada forte, com produção 3,5% superior à do ano anterior, próxima de um recorde. Ainda assim, o banco espera desaceleração para cerca de 1% em 2026/27, principalmente pelo efeito da elevada base de comparação. Na Austrália, a situação permanece mais desafiadora, com produção 0,3% inferior até abril e expectativa de nova retração semelhante na temporada seguinte, em um ambiente de custos crescentes e preços praticamente estáveis.

Na América do Sul, o Brasil também entra em uma fase de menor dinamismo. Depois do crescimento de 8,0% registrado em 2025, o Rabobank projeta estabilidade da produção em 2026, com recuos na segunda metade do ano. O relatório aponta recuperação parcial das margens, mas ressalta que a demanda continua limitada pela inflação e pelo elevado nível de endividamento.

A Argentina também deverá desacelerar. O crescimento esperado fica entre 1% e 2% em 2026 antes de perder força no final do ano, enquanto a demanda permanece concentrada em produtos de menor valor e o processo de consolidação do setor continua avançando.

Na China, a produção deverá permanecer estável em torno de 40,9 milhões de toneladas. Os ganhos de produtividade compensam a redução do tamanho dos rebanhos, enquanto o consumo cresce cerca de 2%, impulsionado pelos serviços de alimentação e por produtos de maior valor agregado. O país também deverá aumentar as importações de leite em pó integral e reduzir as compras de leite em pó desnatado.

Mais do que uma simples projeção de produção, o relatório descreve um mercado internacional que passa da expansão acelerada para um ritmo mais equilibrado. Em um ambiente de margens menores, demanda ainda cautelosa e comportamentos distintos entre as principais regiões produtoras, a evolução da oferta global tende a ser um dos principais fatores de atenção para toda a cadeia láctea ao longo de 2026.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Fedeleche

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