A agricultura regenerativa deixou de ocupar apenas o espaço da sustentabilidade para se tornar uma estratégia de negócios dentro da cadeia do leite.
O movimento apresentado pela Danone mostra uma mudança de foco: em vez de tratar a redução de emissões como um objetivo isolado, a empresa procura integrar ganhos ambientais, produtividade e retorno econômico em um mesmo modelo de desenvolvimento para seus fornecedores.
Um dos principais instrumentos dessa estratégia é a Jornada Flora, programa voltado aos produtores de leite fresco. Segundo os dados apresentados pela companhia, a iniciativa já responde por aproximadamente 60% da captação de leite da empresa no Brasil.
Os resultados divulgados indicam uma redução de 50% no fator de emissão de CO₂ e de 43% no fator de emissão de metano, ambos em comparação com 2020. Ao mesmo tempo, os produtores participantes registram um retorno médio de R$ 116 para cada R$ 100 investidos anualmente nas propriedades.
Mais do que apresentar indicadores ambientais, a estratégia procura demonstrar que a adoção de práticas regenerativas pode ser economicamente viável dentro da cadeia de fornecimento.
Escalar um modelo em vez de criar novos projetos
A nova etapa da Jornada de Impacto não apresenta apenas novas metas. O principal movimento é ampliar iniciativas que já estão em operação e levar seus resultados para outras etapas da cadeia de valor.
Na área de natureza, a empresa pretende utilizar a experiência acumulada na produção de leite para acelerar a descarbonização de ingredientes e matérias-primas consideradas estratégicas, preservar áreas hídricas e reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030.
O avanço acompanha também objetivos globais do grupo, que incluem atingir 45% dos ingredientes-chave provenientes de agricultura regenerativa até 2030, além da meta de alcançar Net Zero em 2050.
A lógica por trás dessa decisão é transformar práticas antes concentradas na produção de leite em um modelo aplicado de forma mais ampla na cadeia de suprimentos.
Competitividade passa a dividir espaço com sustentabilidade
Outro aspecto da estratégia é aproximar sustentabilidade e desempenho operacional.
Em vez de apresentar os investimentos ambientais como um custo adicional, a companhia associa os indicadores de redução de emissões ao fortalecimento da competitividade da operação e da resiliência da cadeia de fornecimento.
Essa abordagem aparece tanto nas iniciativas voltadas aos produtores quanto nas metas relacionadas ao portfólio de produtos.
Na área de saúde, a empresa pretende ampliar a redução de açúcar adicionado em produtos lácteos para adultos e trabalhar para que 88% do volume vendido de produtos lácteos e de base vegetal contenha 10 g ou menos de açúcares totais por 100 g até 2030.
Desenvolvimento de pessoas também integra a estratégia
A nova fase também incorpora metas relacionadas à formação de profissionais e à diversidade.
Entre os indicadores apresentados estão a manutenção de programas voltados ao desenvolvimento de competências, pensamento crítico, inteligência artificial e aceleração de carreira, além do compromisso global de capacitar 10 mil produtores e trabalhadores rurais até 2030.
Na gestão, a empresa informa já contar com 52% de mulheres em posições gerenciais no Brasil e pretende manter equilíbrio entre 40% e 60% de participação feminina em todos os níveis gerenciais.
O principal aprendizado para outras empresas
A principal mensagem da estratégia não está apenas nos indicadores ambientais divulgados.
O movimento mostra uma tentativa de transformar práticas regenerativas em um instrumento de competitividade para toda a cadeia do leite, combinando eficiência operacional, redução de emissões e retorno financeiro aos produtores.
Ao colocar esses três elementos no centro da estratégia, a empresa sinaliza que a agricultura regenerativa passa a ser tratada menos como uma agenda institucional e mais como um componente permanente da gestão da cadeia de fornecimento.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Estadão






