A produção de leite mudou o destino da Fazenda São Francisco, em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe (CE).
Há pouco mais de duas décadas, as lavouras de arroz deram lugar às vacas leiteiras. Hoje, a propriedade ultrapassa 2 milhões de litros de leite por ano, sustenta toda uma família e já se prepara para uma nova transformação: incorporar inteligência artificial à rotina da ordenha.
Para Moisés Maia, a decisão tomada no início dos anos 2000 nunca foi apenas uma troca de atividade agrícola. Foi uma aposta no futuro.
“Vi no leite uma atividade com muito futuro. É um alimento essencial e, nas pesquisas de mercado, era algo que seria muito precisado. Acho que fiz a escolha certa no momento certo. Leite foi e sempre será um bom negócio.”
A fazenda pertence à família desde os tempos do Brasil Império. Ao longo da história, recebeu diferentes culturas agrícolas, mas foi a pecuária leiteira que definiu o rumo da propriedade. Hoje, Moisés afirma que toda a renda da família vem da atividade.
“Criei meus filhos às custas do que produzo e não tenho outra renda a não ser leite.”
A produção continua sendo essencialmente familiar. Além do produtor, trabalham na fazenda sua esposa, os dois filhos e uma das noras. Juntos, administram um rebanho de aproximadamente 200 animais, cuja produção média chega a 28 litros de leite por vaca por dia, podendo variar conforme a época do ano. Todo o volume produzido é vendido para a Alvoar Lácteos, empresa responsável pelas marcas Betânia e Camponesa.
Mas, para Moisés, produzir mais nunca significou apenas aumentar o número de animais. O caminho escolhido foi investir em tecnologia e no bem-estar do rebanho.
As vacas permanecem boa parte do dia em uma área protegida do sol e da chuva, equipada com ventiladores para conforto térmico, além de alimentação e hidratação balanceadas. Um dos investimentos mais simples trouxe um resultado que chamou a atenção do produtor.
“Conforto térmico ajuda demais. A ordenheira é emborrachada, e a vaca relaxa na hora de soltar o leite. Aumentou dois litros de leite por vaca só com o emborrachamento.”
A modernização também mudou a forma como o leite é coletado. Na Fazenda São Francisco, o produto já percorre um sistema fechado desde a ordenha até o armazenamento, sem contato com o ambiente externo.
“Hoje se produz leite sem contato humano, nem o próprio ambiente tem mais contato com o leite. A ordenheira tem uma vedação no peito da vaca e vai direto para o tanque de expansão. O leite é conservado a 2°C, com controle e higienização. Não sou contra quem tira leite na mão, mas as inovações estão chegando para ajudar.”
Se hoje o contato humano com o leite foi praticamente eliminado durante a ordenha, o próximo objetivo é automatizar também parte da gestão do processo.
Moisés pretende utilizar softwares com inteligência artificial para programar automaticamente as ordenhas, realizadas atualmente todos os dias às 5 horas e às 16 horas. O custo ainda é um obstáculo, mas ele acredita que a tecnologia deve chegar em breve à propriedade.
A visão de futuro acompanha a mesma convicção que o levou a abandonar o arroz anos atrás: continuar evoluindo para manter a atividade competitiva.
O produtor participou do Coalizão Agro, realizado em Limoeiro do Norte, evento que destacou o potencial da cadeia leiteira na região. Mesmo acompanhando a retomada da pecuária de corte no Ceará, ele acredita que o desenvolvimento do setor depende da atuação conjunta entre as duas atividades.
“O pecuarista de leite e o de corte têm que andar de mãos dadas. Uma andorinha só nunca fez verão, temos que criar um grupo para ter forças.”
Depois de transformar uma fazenda agrícola em uma propriedade leiteira, Moisés Maia acredita que o próximo ciclo de mudanças já começou. Para ele, a inteligência artificial não substitui o produtor. É apenas mais uma ferramenta para continuar fazendo aquilo em que decidiu apostar há mais de vinte anos: produzir leite.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Diário do Nordeste






