O Queijo do Serro ocupa uma posição singular na cadeia láctea brasileira.
Produzido em um município que preserva seu patrimônio histórico desde 1938, o produto também se consolidou como um dos principais ativos econômicos da região e ganhou ainda mais projeção após o reconhecimento dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em dezembro de 2024.
Mais do que um símbolo gastronômico, o queijo está diretamente ligado à dinâmica econômica de Serro, município localizado na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Segundo a prefeitura, a produção representa cerca de 60% da renda local, com aproximadamente 10 toneladas fabricadas diariamente, garantindo o sustento de cerca de 150 famílias.
Esse resultado está associado a uma tradição produtiva mantida por mais de três séculos. O queijo continua sendo elaborado com leite cru e pingo natural, preservando um modo de fazer que se tornou o primeiro bem imaterial registrado por Minas Gerais em 2002. Em 2008, o reconhecimento foi ampliado pelo IPHAN para o âmbito nacional e, em 2024, alcançou dimensão internacional com a inclusão dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal na lista da UNESCO.
Para a cadeia láctea, o caso demonstra como atributos ligados à origem, à tradição e ao território podem agregar valor ao produto. Em Serro, a preservação do conhecimento artesanal acontece paralelamente à conservação do patrimônio urbano, formando uma identidade que fortalece tanto a atividade produtiva quanto a imagem da região.
A cidade também se diferencia por manter praticamente intacto seu conjunto arquitetônico dos séculos XVIII e XIX. Antiga Vila do Príncipe, originada durante o Ciclo do Ouro, Serro foi o primeiro município brasileiro tombado pelo patrimônio nacional, em 8 de abril de 1938. Igrejas barrocas, casarões coloniais e ruas de pedra continuam compondo a paisagem que caracteriza o município.
Essa combinação entre patrimônio histórico e produção artesanal também impulsiona o turismo local. Além do centro histórico, visitantes percorrem distritos como Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras, enquanto o queijo permanece como principal referência da gastronomia regional.
A economia do município mantém forte ligação com a pecuária leiteira, a produção de queijo e um turismo descrito como crescente, mas ainda distante do turismo de massa. O perfil reforça um modelo em que cultura, produção agropecuária e identidade territorial caminham de forma integrada.
O caso de Serro evidencia que, quando tradição, território e produto permanecem conectados, o valor gerado ultrapassa a produção de alimentos. O queijo torna-se parte da identidade econômica da região e um elemento capaz de fortalecer toda a cadeia ligada à sua origem.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Em foco






