As exportações de lácteos voltaram ao centro da discussão da cadeia brasileira, mas desta vez acompanhadas de uma pergunta que vai além de encontrar compradores: o que falta para o setor conseguir transformar oportunidades externas em negócios?
Durante reunião da Aliança Láctea Sul-Brasileira na Expointer, em Esteio (RS), a discussão reuniu diferentes peças de uma mesma equação: sanidade, competitividade, logística, proteção comercial e consumo interno. O encontro também marcou os 12 anos da entidade.
Para Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), um dos principais pontos é acelerar os processos de reconhecimento sanitário necessários para que os estados produtores possam ampliar o acesso a mercados internacionais.
Uma das alternativas defendidas é trabalhar com liberações regionalizadas. A ideia permitiria iniciar exportações enquanto avançam os processos de reconhecimento em âmbito nacional.
O movimento ganha importância diante das oportunidades identificadas em mercados asiáticos. Segundo Palharini, existem nichos se abrindo na região, com forte demanda por alimentos, que poderiam ser aproveitados pelos lácteos brasileiros.
Durante a reunião, a estratégia foi relacionada a caminhos já adotados por outros segmentos da proteína animal brasileira, como carnes e ovos.
O mercado externo não resolve tudo
A discussão, porém, não terminou na abertura de mercados.
Alexandre Guerra, 1º vice-presidente da Aliança Láctea, defendeu uma visão que envolva os diferentes elos da cadeia, incluindo produtores e indústrias de pequeno, médio e grande porte.
A preocupação é que o fortalecimento de um segmento dependa também da solidez dos demais. Nesse contexto, o mercado interno aparece como outra frente importante.
Guerra destacou o crescimento de segmentos como o de queijos e defendeu a ampliação de ações destinadas a estimular o consumo de produtos lácteos.
A logística também entrou no debate. O dirigente chamou atenção para os efeitos de novas tarifas sobre a distribuição da produção e, especialmente, para o custo de transportar produtos da Região Sul para outras partes do país.
Para o setor, manter condições competitivas de transporte é fundamental para evitar perda de competitividade da indústria regional.
Entre exportar e se proteger
As negociações comerciais internacionais acrescentaram outro elemento à discussão.
A Aliança Láctea debateu a necessidade de mecanismos de proteção e salvaguardas para a cadeia diante das negociações comerciais, incluindo o acordo entre Mercosul e União Europeia.
Palharini defendeu a construção de instrumentos capazes de contribuir para a proteção e a sustentabilidade da cadeia láctea. A discussão, segundo ele, também envolve outros setores produtivos, como vinhos e azeite de oliva.
Ao mesmo tempo, o setor avalia novas formas de comercialização. Uma das possibilidades mencionadas é a criação de mecanismos de comercialização futura para produtos lácteos, tema que deverá continuar sendo discutido nas próximas reuniões da entidade.
O resultado é uma agenda que vai muito além da simples busca por compradores internacionais. Para a Aliança Láctea, a capacidade de exportar passa por uma combinação de condições sanitárias, competitividade, logística e instrumentos comerciais.
Doze anos de articulação
A reunião na Expointer também marcou os 12 anos da Aliança Láctea Sul-Brasileira, criada durante a própria feira.
A entidade reúne representantes e organizações ligadas à produção e à indústria de lácteos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Ao longo da sua agenda, a articulação entre os diferentes elos da cadeia aparece como uma das frentes para discutir o desenvolvimento do setor nos estados produtores.
Agora, a possibilidade de ampliar as exportações coloca novamente o mercado internacional no centro da conversa.
A Ásia aparece como uma oportunidade apontada pelo setor. Mas, antes de transformar essa oportunidade em embarques, a cadeia identifica uma lista de condições que precisam caminhar juntas: reconhecimento sanitário, competitividade, logística, proteção comercial e estímulo ao consumo.
A questão, portanto, não é apenas para onde vender. É também como criar as condições para competir quando chegar a hora de vender.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Feed & Food






