A indústria de laticínios de Santa Catarina segue ampliando sua presença e capacidade de transformação.
O estado alcançou 1.186 fabricantes em maio de 2026, resultado de um crescimento de 59% em relação às 744 empresas registradas em 2020. Mais do que um avanço estatístico, o movimento reforça a consolidação de um ambiente produtivo que combina oferta de leite, diversificação industrial, sanidade animal e políticas de incentivo ao setor.
Os dados da Junta Comercial do Estado mostram uma trajetória consistente de expansão ao longo dos últimos anos. O número de fabricantes passou para 804 empresas em 2021, chegou a 874 em 2022, avançou para 943 em 2023, alcançou 1.025 em 2024, atingiu 1.129 em 2025 e chegou a 1.186 em 2026.
A base industrial catarinense atende uma ampla gama de segmentos dentro da cadeia láctea. O portfólio inclui creme de leite, manteiga, iogurtes, queijos, leite em pó, bebidas lácteas, doce de leite e derivados como caseína, lactose e soro de leite. O crescimento do número de empresas sugere uma estrutura produtiva cada vez mais diversificada, capaz de atender mercados distintos e capturar oportunidades em diferentes categorias de produtos.
Entre os exemplos desse movimento está a Queijaria Boca da Serra, localizada próximo a Rancho Queimado, na Grande Florianópolis. Oficializada em 2023, a empresa surgiu a partir de uma produção doméstica conduzida pela empreendedora Daiani Borges e evoluiu para uma operação estruturada, mantendo o foco artesanal aliado a padrões sanitários e planejamento de crescimento.
A trajetória da queijaria ilustra uma das características do ambiente catarinense: a convivência entre expansão industrial e produtos de maior valor agregado. O reconhecimento obtido com a medalha de prata no World Cheese Awards 2025 para o queijo Serramar demonstra que o crescimento do setor não está restrito ao aumento do número de empresas, mas também à busca por diferenciação e qualidade.
A expansão encontra suporte em uma base produtiva relevante. Santa Catarina é o quarto maior produtor de leite do Brasil e responde por mais de 9% da produção nacional, com 3,3 bilhões de litros por ano. Entre 2014 e 2023, a produção estadual cresceu 7,5%, em um cenário que contrastou com o desempenho observado em outras regiões do país.
A cadeia leiteira catarinense reúne mais de 20 mil produtores distribuídos por todas as regiões do estado. No campo sanitário, Santa Catarina também apresenta indicadores destacados, sendo o único estado brasileiro classificado com nível A para risco de brucelose e um dos quatro com menor risco de tuberculose bovina.
O avanço da atividade ocorre em paralelo à implementação de políticas de apoio ao setor. O Programa Leite Bom SC prevê investimentos de R$ 300 milhões até 2027 para produtores e indústrias, enquanto o Programa Terra Boa atua no incentivo à recuperação e melhoria das pastagens.
Santa Catarina chega a 2026 com uma cadeia láctea mais densa, mais diversificada e com maior capacidade de processamento. O crescimento do número de fabricantes sugere que o desafio futuro não estará apenas na industrialização, mas também na capacidade de sustentar o fluxo de matéria-prima necessário para alimentar essa expansão. Em um ambiente de investimentos, sanidade e diversificação produtiva, o leite tende a ganhar relevância crescente como ativo estratégico dentro da própria cadeia.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Hora Hiper






